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domingo, 20 de janeiro de 2013

"TARJA PRETA"

Érico Brás e Letícia Isnard em "Tarja Preta"
(Foto Dalton Vale)

CRITICA TEATRAL
IDA VICENZIA FLORES
(da Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT)
(Especial)


     “Tarja Preta”, texto de Adriana Falcão, direção de Ivan Sugahara, em  cartaz no Centro Cultural da Justiça Federal. Estamos diante de um trabalho cheio de vigor e lucidez. Tempo de conferir. “Tarja Preta” é um capítulo de um livro de Adriana, que foi adaptado para o palco. Chama-se "Serial Killer", o texto, e fala de amor, de carência e desespero. E de excessos. O sem-limite da vida sem controle! Alcool e outras drogas. Fármacos. 
     A cena teatral começa com a chegada da protagonista (Letícia Isnard) em casa, vinda da night, acompanhada somente por seu cérebro (Érico Brás). É quando tomamos conhecimento da dimensão de seu desespero. Os gestos, abusivos, têm o poder de mostrar o controle absoluto do corpo dos dois atores. A cena de Érico Brás (o cérebro bêbado), tentando vestir a roupa para dormir é antológica. É o cartão de visitas do espetáculo. 
     Olhos mais críticos se perguntam: como vão os dois atores sustentar este ritmo? Súbito, a jovem abandonada pelo marido, (Isnard), despenca em um profundo sono reparador, enquanto o cérebro (Brás), continua a lutar com o seu calção de dormir. A cena é, neste momento, inteiramente de Érico Brás. Finalmente, os dois - cérebro e emoção -, dormem o sono dos justos... para tudo recomeçar,  na manhã seguinte.
     Como estamos na presença de dois atores agraciados com a mais absoluta perfeição cênica, o que temos pela frente é uma delícia de desavença erótico-racional. Não há, na agitada desrazão da moça contrariada pelo amor, o mais leve resquício de inteligência - porém seu cérebro reage, atento: “Eu sou inteligente, ela é bonita, isto não pode acabar mal”. Voilà!  
      Não percam tanta loucura! Trata-se de uma "serial killer de neurônios” – assim Leticia Isnard define o seu personagem. A adaptação é de Sugahara, em colaboração com os atores. Cenografia a cargo de Rui Cortez, com pequenas intervenções (descontroladas!) da atriz, em cena. A iluminação (correta) de Tomas Ribas - não é necessário nenhum black-out acompanhando o curto-circuito cerebral da moça. Os figurinos de Bruno Parlatto elaboram a sequencia do estado de espírito dos dois parceiros. Trilha sonora do diretor. Bom teatro para todos os gostos.          

(Notícias da AICT: reunião em março, textos a serem enviados, pelos seus membros brasileiros, para a WEB Magazine. Aguardem!).

Um comentário:

  1. Interessante! Não conheço nenhum dos dois atores. Preciso conhecer.
    Beijos.

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