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segunda-feira, 4 de maio de 2015

ANTONIO ABUJAMRA - CALENDARIO DE PEDRA - UMA BIOGRAFIA -









CALENDARIO DE PEDRA
Baseado no poema "The Book of Anniversary" de Gertrude Stein. "calendário de pedra: essa coisa cheia de caminhos, muito séria, que é o cotidiano."
                UMA BIOGRAFIA

               


                


       ANTONIO ABUJAMRA
   "CALENDÁRIO DE PEDRA"
          UMA BIOGRAFIA


"Repudio o nome de biografia. Digo, como Walter Benjamin, "O tempo é irrelevante... estou falando de espaços, de momentos, de descontinuidades" (Benjamin, Crônicas Berlinenses, citação Antonio Abujamra).






                              APRESENTAÇÃO DO LIVRO DE  
                                     ANTONIO ABUJAMRA
 

     Você já abriu este livro, agora entrará em contato com a vida de Antonio Abujamra. Antes, porém, quero contar como foram os primeiros dias desta narrativa. Tudo começou há 6 anos: 2008! Eu era seis anos mais jovem... e ele também! Sempre que nos encontrávamos, entre amigos, em bares, restaurantes, nos teatros do Sesc, ou em outros teatros, ele dizia para os garçons, ou para quem estivesse perto de nós: “me tragam Viagra!”. Ninguém ouvia, ou fingia não ouvir. A cena era terrivelmente divertida, e inesperada. Claro, o que ele queria realmente não era Viagra, ele queria era alimentar um mito. Veremos, mais adiante, que esta questão do mito, em Abujamra, foi mudando com o decorrer do tempo.
       Os seis anos tentando falar com ele não foram uma experiência fácil. Mas foi muito prazerosa, porque desafiadora - para mim. Ora a gente se reunia nas mesas do Degrau, em Ipanema, ora, nos bancos desconfortáveis do Espaço Sesc do Rio de Janeiro, ou em bares da rua Santa Clara, ou nos bastidores do CEU de São Paulo. Fazíamos um jogo de gato e rato. Finalmente descobri que "estava tudo lá", em revistas, no seu programa de televisão, na suas encenações. Antonio falava através de sua Arte. Enfrentei a pesquisa.
     Às vezes Antonio era carinhoso comigo, me dava dicas, deixava pelo caminho pistas, que eu deveria desvendar, ou compreender. Às vezes era irônico, duvidava da empreitada a que eu me dispusera. Às vezes, entusiasta, deixava-se influenciar pelo meu entusiasmo. Só não gostava de meu olhar perscrutador e me interrogava, "malcriado", como dizia a sua querida esposa Belinha: "Por que este olhar que parece querer namorar comigo"? Querem coisa mais desconcertante? 

     Aos trancos e barrancos, lá fui eu estruturando a história de sua vida. Despistando insights, escondendo gravadores na minha roupa (que ele sempre descobria, não porque a tirasse, é claro, mas porque havia sempre um fio indiscreto a me condenar!). Lá ia eu, desesperada, rabiscando notas em guardanapos de papel, imaginando cenas, desenvolvendo verdades. Quase me transformo em uma ficcionista, mas a procura da verdade me salvou. Agora apresento o resultado da aventura que foi tentar entender este monstro. Que a sorte nos acompanhe! A mim, a ele, e aos nossos leitores! Comecemos pelo começo.


                                                                                                                  IDA VICENZIA






                         CIBELIA CIBELLI ABUJAMRA
                               A GRANDE BELINHA!
                               AGRADECIMENTOS

     Belinha! Fundamental Belinha! A zeladora, a mãe, a administradora! A arquivista. Grande parte de sua vida Belinha foi Auditora Fiscal do Tesouro Federal, uma função que lhe deu condições de administrar qualquer problema, inclusive a "problemática" vida de Antonio Abujamra. Deixou-nos um completo arquivo sobre este diretor/ator, e resolveu muito coisa na vida de "Antonio, o único homem da minha vida", como ela declarou um dia. Pode um marido querer melhor companheira? Cibelia Cibelli organizou os papeis de Abujamra e, sobre este diretor temos um verdadeiro tesouro, "o arquivo de Belinha", acumulado desde os anos em que Antonio iniciou sua carreira no Rio Grande do Sul.         
                           MUITO OBRIGADA!                        
                                  ( in memorian)






                  UM AGRADECIMENTO MUITO ESPECIAL

     Minha mulher é uma santa. Deve a mim, se não fosse eu ela não seria uma santa, na classe teatral todo mundo gosta muito mais dela do que de mim.

                             Antonio Abujamra
                     (em entrevista a "Caros Amigos")


                            "O BELO ANTONIO"

     O menino que nos abriu as portas - e que hoje é um homem - tem alguma coisa muito boa para nos dizer
                       É sobre Abujamra
                       ALGUMAS PALAVRAS:
       Aqueles que o conhecem chegam desnecessariamente, a temê-lo. Seja pelo humor ácido, seja pela eterna fama de provocador, de incitador, pelas famosas frases ásperas e pela harmoniosa incoerência! O Provocador que na verdade é o Provocado! Esse o espírito que esse homem encontrou para, à sua maneira, aperfeiçoar a sociedade em que viver e suscitar a visão que move as pessoas a almejarem uma vida melhor.
     Os que o conhecem profundamente, no entanto, sabem que não há o que temer, apenas o que amar e admirar. O intelecto e o raciocínio apurados que nos levam a querer melhorar para poder acompanhar de maneira mais elevado o raciocínio de alguns poucos que auxiliam os homens a evoluir.
     Os que não o conhecem, perdem.
     Um dos maiores diretores do teatro brasileiro de todos os tempos, aquele por cujas mãos passaram os maiores atores e as maiores atrizes do país, que sempre dividiu a sua erudição e carinho sem nunca pedir nada em troca. Um homem à frente de seu tempo, cuja sensibilidade e percepção ensinam que mais importante que o amor é a gentileza.
     Sempre com a coragem de se reinventar, de qualquer maneira, sendo coerente em ser o rei da incoerência!
     Sabendo que o que se pode esperar dele é nada mais que o inesperado. Estudioso. Concreto. Erudito. Pesquisador. Contra o achismo e as certezas absolutas. Questionador.
     Em incessante procura pelo conhecimento, sempre foi o exemplo para todos os que o cercam. Exemplo destemido e polêmico, ao seguir com seu coração e instinto suas aspirações, de fazer questão de não ser respeitado, porque aqueles que o respeitarem demais não poderão suplantá-lo e, assim, não crescerão. Totalmente desprovido de interesses materiais poderia ser um homem rico, mas os prazeres e bondade da vida são muito mais importantes.
     Sempre disse que optou pela mediocridade ao decidir viver sua vida no Brasil, com possibilidades múltiplas de viver no primeiro mundo, foi o 1º brasileiro a receber o Prêmio Lifetime Achievement Award, XI International Hispanic Theater Festival - Miami - Flórida - Estados Unidos da América - pelo conjunto de sua obra e o único Latino Americano a participar do Júri do Festival Mundial de Televisão em Monte Carlo a convite de Sua Alteza Sereníssima, Príncipe Rainier de Mônaco. Sem reclamar e sem se intitular dono ou pai de qualquer ideia, trouxe para o Brasil o ensino á distância na década de 70, que hoje com tanto orgulho vejo os resultados nos escondidos recôncavos do Brasil onde pessoas humildes são alfabetizadas. Todo o sistema embrionário de programas educativos para crianças também têm sua influência.
     Além de diretor, ator, criador, agitador cultural, produtor, amigo, mestre.
     Não é difícil para um filho ter seu pai como herói, orgulho ou exemplo e escrever umas poucas linhas sobre ele.
     Para mim é muito fácil. Sou filho de Antônio Abujamra!
                 
                                    Alexandre Cibelli Abujamra



















4 comentários:

  1. Acho que deves continuar, Ida, movida pela partida e pelo quanto será apreciado teus registros.

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  2. Estou continuando, Celina... Estou continuando! Dia 17 terminei a revisão do IV Capitulo! Beijos

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  3. Parabéns pelo trabalho. Leitores interessados já possui.E muitos. Obrigado por se dedicar a escrever essa obra. Será um grande acréscimo para se conhecer com profundidade a obra do Abu.

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