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sábado, 9 de dezembro de 2017

"O DOENTE IMAGINARIO"

"O Doente Imaginario" - Molière, direção Jacqueline Laurence. Em cena: Argan, Belinha, Angelica e
Leo Thurler.
(Foto Guga Melgar) 


    IDA VICENZIA
(da Associação Internacional de Críticos de Teatro - AICT)
(Especial)  

     Se até nossos dias os médicos ainda convivem com as incertezas da medicina, imaginem no século de Molière, o célebre comediante de Luis XIV, na França, século XVII. Pois é das incertezas da medicina que trata O Doente Imaginario, de Jean Baptiste Poquelin, o Molière, atualmente em cartaz no Rio de Janeiro, Teatro Eva Herz. O texto  do grande comediante francês coloca, na tradução e adaptação do  brasileiríssimo João Bethencourt, uma pitada de nossa chanchada à brasileira. Muito divertida, por sinal, com a direção de Jacqueline Laurence, especialista na matéria. Nas mãos destes três profissionais, o público pode contar com divertimento e crítica garantidos.

     Pois é. O que se passa no palco é que o pai (hipocondríaco) da jovem casadoira resolve arrumar genro e sogro para a filha, beneficiando-se da escolha. O doente quer estar cercado de pessoas que sejam úteis a ele, no campo de medicina, ou seja: quer-se cercado de médico e candidato a tal, pai e filho. Coloque-se uma pitada de esposa interesseira (a do hipocondríaco), e mais uma soubrette esperta, e está armada a cena.

     Mas para que o público dê valor ao que está assistindo há que ter um cenário envolvente: cortinas e bambulinas se esparramam em toda a cena (Colmar Diniz), facilitando as entradas e saídas repentinas dos personagens. Fica tudo acertado quando a cena é tomada pelos extravagantes figurinos do mesmo especialista. O acréscimo cômico se faz notar.

     Mas da comicidade encarregam-se principalmente o próprio doente, o velho Argan, interpretado por Élcio Romar, nosso conhecido de outras apresentações com a Cia. Limite 151 (de Glaucia Rodrigues, no papel da soubrette Antonieta, e Edmundo Lippi,  o mano elegante do doente, o Beraldo). De Élcio Romar assistimos a várias apresentações em comedias desta Cia.. Prazer em revê-lo. Temos ainda no elenco Márcio Ricciardi interpretando o Dr. (de olhar fanático!),  Thomas Laxante, e seu filho pretendente de Angelica. A filha de Argan que é a delicada Andressa Lameu.

     O elenco segura muito bem o ritmo da comédia, dirigida com mão firme por Jacqueline. Temos ainda a esposa interesseira, "Belinha", interpretada por Jacqueline Brandão, e o candidato a médico (e esposo) de Angelica, comandado pelo cômico Leo Thurler, uma figura. Nesta apresentação podemos assistir a comediantes avant la lettre.  Há ainda o sóbrio apaixonado por Angelica, Cleanto, interpretado por Gustavo Wabner. É impressionante o empenho com que o elenco passa seu recado de teatro popular francês criado por Molière. Na verdade, Martins Pena não perde nada para as suas comedias. Certamente os excêntricos figurinos de Colmar Dinz têm muito a dizer daquela época  na França.... Um achado.

     A iluminação, sem maiores invenções, é de Rogerio Wiltgen. Música apropriada para uma comedia de Molière, dirigida por Wagner Campos. Fotos de Guga Melgar e Direção de Produção de Edmundo Lippi. Divulgação João Pontes e Stella Stephany. ACONSELHAMOS. BOA DIVERSÃO PARA TODOS!            




3 comentários:

  1. Boa noite. Tudo bem? E a biografia do Antônio Abujamra? Pensa em dar prosseguimento nela? Faz um tempo que postou algo aqui acerca dele. Como uma boa biografia demanda uma quantidade enorme de tempo, pesquisa, material, entrevistas, viagens para coleta de dados, recursos de todo naureza, etc fiquei na expectativa dela ser concretizada ou não. Se tiver isso em mente, seria bacana conseguir realizar tal biografia. O Abujamra parecia ser uma ótima pessoa e era um excelente ator. Abraços.

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