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sexta-feira, 24 de junho de 2022

O C O R S A R I O

 

               I D A   V I C E N Z I A

            ( da Associação  Internacional de Críticos de Teatro  (AICT)

            (Especial)

            O  C O R S A R I O

  Foto Ballet “O Corsário” com a BEMO-TMRJFoto de capa do Programa do Ballet apresentado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no mês de junho de 2022. Na foto, Alyson Trindade, “o homem-pássaro”, ensaiando.(Foto de Carol Lancelloti)

... Trata-se de um ballet inspirado em um poema de Lord Byron, O Corsário, de 1814. O poeta britânico foi, por excelência, o sonho dos românticos de todos os tempos. Suas aventuras no Oriente o representam; assim como seus poemas. Cremos que na passagem do século XIX para o século XX  não houve  música, ou  verso, mais apaixonante do que a música de Chopin e os versos de Lord Byron...

Mas quem está trazendo estas informações é uma romântica que nasceu no sec. XIX !!!  E é, para ela, muito importante, neste contexto atribulado do século XXI,  rever os românticos, com suas pantomimas francesas e sua técnica. É um alimento, uma renovação! Sim, O Corsário, reproduzido no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no mês de junho de 2022, é, para ela, o caminho da  retomada da dança, justamente no Theatro de nossos carinhos!  

Neste contexto, o balé, com música de Leo Delibes e Adolphe Adams, entre outros - e coreografia de Marius Petipa - está muito bem representado, com alguns acréscimos na coreografia, criados por  Helio Bejani e Jorge Texeira.

Não conseguimos perceber os acréscimos, exceto pela a presença da companheira amada do corsário, representada, salvo engano, por Medora  (Marcella Borges).  No original a esposa não se apresenta na luta do marido, mas aguarda seu retorno a casa, triunfante. Diz a lenda que o corsário não retorna jamais... Talvez a participação, forte, de sua esposa, seja um sinal dos tempos!

Mas quem pode dizer que a realidade não está ultrapassando o sonho? Afinal, e uma única vez, tivemos ocasião de assistir Mikhail Baryshnikov  no Brasil, evoluindo em uma fascinante interpretação de O Corsário...       

Mas, calma! O que vimos no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, neste último dia 

19 de junho, em uma matine de domingo...  foi surpreendente, pois encenado pelos 

alunos da Escola de Dança Maria Olenewa, cujo retorno à historia do balé foi 

inspirado por Helio Bejani e Jorge Texeira, atuais coreógrafos e diretores da Cia 

BEMO do Theatro Municipal.

É interessante perceber, na criação de Jules Perrot e Marius Petipa, as  citações de balés da época, do Séc XIX, que faziam sucesso: como a dança dos quatro pequenos cisnes, de O Lago dos Cisnes, interpretados também pelas sapatilhas de ponta de Taglione neste O Corsário; ou a lembrança das pantomimas francesas, cuja inspiração é justamente Gisele, também de Adams, com suave e surpreendente presença na música de O Corsário.

Ficamos agora em dúvida se estas alterações não foram concebidas por Bejani e Texeira... Seja como for, o espetáculo é um belo retorno ao balé de repertório que abraça os mais diferentes tipos de bailarinos, em sua representação enquanto povo e dança. Explico: o balé de Maria Olenewa recebe os mais variados bailarinos, e este acolhimento reflete o cuidado e o amor com que seus diretores indicam o possível caminho do estrelato para estes novos, e multirraciais, amantes da dança... Para quem assistiu o retorno, alguns dias atrás, da Escola BMO com O Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, foi uma grande ocasião para dar um mergulho na compreensão do que o ballet da Escola do Theatro Municipal realiza com seus alunos, possibilitando, mais uma vez, a beleza e a emoção do conjunto. Estão de parabéns, novamente, seus diretores Helio Bejani e Ana Paula Lessa. E, na Direção Artística, Jorge Texeira, que assina a coreografia com Helio Bejani, d’après Marius Petipa!

... e temos uma historia que se reveste de acontecimentos insuspeitados  -  abrindo mão do conjunto de bailarinos profissionais, como estamos acostumados, para colocar em cena bailarinos/alunos  que nos dão uma nova visão do futuro, e daqueles tempos de mouros, paxás, e sonhos alucinados!

Destacamos, no elenco, Alyson Trindade interpretando Conrad, o pirata que, em sua espetacular entrada em cena assemelha-se a um homem-pássaro, tal a leveza e permanência de seu salto, e de sua elevação! A plateia, entusiasmada, o aplaude.

Constatamos a preocupação dos diretores com a formação de plateia e, observando os amantes da dança que estiveram presentes no espaço do público: plateia lotada no último domingo! -  podemos dizer que os rapazes e moças, e admiradores de todas as idades, inclusive crianças - assistiam  a  O Corsário - e às elevações dos bailarinos - sem se desconcentrar.

No papel de Medora, a companheira do pirata, temos a bailarina Marcella  Borges; o bailarino José Ailton interpreta Ali, o escravo; e Alyson, o homem-pássaro, é o corsário.  Os Primeiros Bailarinos  convidados para a estreia de O Corsário, Filipe Moreira  (Conrad)  e  Cícero Gomes (Ali), e ainda Saulo Finelon, nosso conhecido de O Lago dos Cisnes interpretando o belo bruxo Rothbart (está   irreconhecível  no  papel do Paxá Seyd,  sinal de sua boa atuação como ator....). Os três (quatro, com Marcella Borges), não deixaram nada a dever aos Primeiros Bailarinos convidados para a estreia do espetáculo. Tais observações são especulações de quem assistiu somente no domingo. Imaginamos que a presença de Medora, Ali e Alyson,  citados para o domingo de encerramento do espetáculo, não deixaram nada a dever aos bailarinos na sua estreia, tal a emoção com que o público os recebeu!

Na Direção Geral do espetáculo temos Ana Paula Lessa e Helio Bejani, grande bailarino que, no início de sua carreira, iluminou os palcos do Theatro Municipal! Jorge Texeira assina a Direção Artística... e os alunos/bailarinos são os mesmos que se apresentaram no inesquecível O Lago dos Cisnes.

E, acrescentamos, para vosso conhecimento, que as figuras de destaque na história dos balés não são prejudicadas pela mudança dos personagens, muito pelo contrário! ...  Quando dizemos que Saulo Finelon interpretando Rothbart, o bruxo, era “o belo” bailarino, agora, em O Corsário, sua composição é a do velho Paxá,  momento em que  não se apresenta “o belo” - muito pelo contrario - apresenta-se “o velho”, andando sobre seus pés cansados! Irreconhecível. Boa interpretação.

Como  ensaiadora temos Deborah Ribeiro, e ainda Paulo Ornellas na Iluminação; Tania Agra nos figurinos e Visagismo, e cenografia de Manoel dos Santos e José Galdino. Na técnica são ao todo dez pessoas, entre aprendizes e profissionais. 

Não é sem certa melancolia que vemos, refletidas neste espetáculo, as lembranças dos primeiros balés românticos franceses que entraram nas nossas vidas, como Gisele, por exemplo, cujos primeiros acordes e passos da pantomima, presentes em O Corsário, nos levaram a recordá-la! Ah! As pantomimas dos primeiros balés românticos franceses!  

São, ao todo, 49 alunos da Cia BEMO – TMRJ enriquecendo o nosso material artístico. Estão de parabéns também a AMADANÇA que tanto tem acompanhado o movimento desta casa de espetáculos que sobrevive, orgulhosamente, através dos anos! 

CONSTANTE RETORNO, É O QUE LHES DESEJAMOS!

                    



segunda-feira, 13 de junho de 2022

JUDY o arco-iris é aqui . . .

 



    IDA VICENZIA

   (da Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT)

    (Especial)

         JUDY   -  o arco-iris é aqui... Liliane Secco, Luciana Braga e Vitor Granete em cena.


     GET  HAPPY

     Forget yours troubles,

     come on,

     get happy.

     You better chase

     all your cares  away…

 

    Judy – o arco-iris é aqui... :  texto e direção de Flavio Marinho, interpretação de      Luciana Braga.

Depois de O Lago dos Cisnes, balé que voltou ao palco no Theatro Municipal do Rio de Janeiro comemorando a volta dos artistas da dança ao Theatro,  temos agora, no Teatro Vannucci,  Judy Garland, na interpretação de Luciana Braga, comemorando a volta dos anos de ouro do teatro musical ...

Luciana, em um solo memorável.

Parodiando Alberto Manguel em ‘Uma História da Leitura’, quando esse autor de sucesso diz ser “a leitura a apoteose do escritor”, constatamos que “a plateia é a apoteose do artista!”

Complementando essa observação, dizemos da importância do autor/diretor e coordenador do Projeto, Flavio Marinho, um gentleman moderno, por temperamento. Ocorreu-lhe, há alguns anos, colocar a vida de Judy Garland nos palcos e ele fez do texto um jogo, no qual coloca face a face, a vida das duas atrizes, Judy Garland  e  Luciana Braga, realçando, ao mesmo tempo, a sua (do autor) criatividade!  O texto funciona com uma dramaticidade intensa, digna da atribulada vida de Judy, e trafega na semelhança da vida das duas atrizes que, segundo declaração de Luciana, “é a vida de toda atriz”. Compreendemos que Luciana Braga se refere à vida, cheia de altos e baixos, de todo artista, eles ou elas. 

Luciana Braga, uma surpresa, realiza  trabalho  irrepreensível e repleto de nuances, ao abordar a vida das duas personalidades que se encontram no palco.  

O espetáculo tem início com Luciana cantando o belíssimo Over the Rainbow, de 

maneira suave, que vai tomando conta do público,  acompanhada pelos pianos de 

Liliane Secco e Vitor Granete, - e aí começa

'A   APOTEOSE  DO  ATOR !!!'   . . .

que é a entrega da plateia.

Em um cenário aberto (de Ronald Teixeira, que também assina os figurinos), onde se localizam dois pianos de cauda e várias malas de viagem, nas quais dizia Judy viver, temos um painel iluminado (luz de Paulo César Medeiros), como pano de fundo, onde brilham estrelas... E os holofotes. Ah...! Os holofotes, a verdadeira vida de Judy Garland.    

Compreende-se   observação de Judy. E ela vivia sob holofotes, e recuperava o 

fôlego da exaustão causada por Hollywood, inventando algum show, alguma 

estreia de suas músicas, sob os holofotes!  Sucesso certo. Sempre temos alguma 

coisa a nos trazer à vida! Alguns artistas têm o palco, outros a crítica teatral... para 

viver outros talentos.

And  so  it  goes ...

Diz a Produção que o espetáculo não teve patrocínio oficial, porém  patrocinadores muito especiais, os amigos... como La Fiorentina; o Núcleo de Teatro Musical de Maria Lucia Priolli; o Solar de Botafogo, e a tão necessária Lavanderia Flor de Copacabana, entre outros, tantos outros, uma dúzia deles! ... realizando o que se tornaria um grande espetáculo, onde o teatro mostra a sua força.

E, na ficha técnica são 21 pessoas, 21 artistas. Impossível cita-los a todos... Já citamos alguns, e temos Tania Nardini, na Direção de Movimentos; Marcos Vinicius de Moraes, na Produção Executiva e Direção de Cena (desconfio que é ele quem faz o contrarregra em destaque) ... e muitos outros.

O espetáculo estreou no dia 10 de junho de 2002, marcando a data do centenário de nascimento de Judy Garland.

 Com: Assessoria de Imprensa:  JSPontes/ Stella Stepnany  

  É  BOM  VER  BOM  TEATRO! 

 







sábado, 28 de maio de 2022

O LAGO DOS CISNES

 



           O LAGO DOS CISNES

 

IDA  VICENZIA

(da Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT)

(Especial)

 

         Sinto-me em casa. 

 

Os Cisnes e seu Lago                                                (Foto de Daniel A. Rodrigues)   
 

Sempre acontece quando vou ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Especialmente em se 

     tratando da apresentação de O Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, o meu compositor predileto, o 

primeiro deles. Sempre digo que nasci no século XIX... talvez seja verdade. Quem o sabe?

Mas vamos ao Lago!

  A noite do dia 25 de maio foi inesquecível. Em cena Márcia Jaqueline, no papel de Odette/Odile; Cícero Gomes, o príncipe Siegfried; Rainha Mãe – Priscila Albuquerque; Rothbart, o bruxo – Saulo Finelon; o Bobo, Luiz  Paulo... e tantos outros!

Não foi uma noite de estreia, mas foi uma noite privilegiada. A preparação técnica e o envolvimento emocional dos principais bailarinos é algo a destacar, assim como é a comovente preparação e atuação dos bailarinos da Escola de Dança Maria Olenewa.

Uma noite perfeita.

Desde sua criação, no século XIX, para ser mais precisa, desde sua estreia no século XIX - (registramos aqui sua verdadeira estreia de sucesso, no final do século XIX – 1895), o Lago tornou-se o mais belo e completo poema de amor dançado, com requintes de uma obra-prima.

O Lago dos Cisnes é um dos balés mais amados, tanto pelo público, como pelos bailarinos que lhe dão vida. No dia 25 de maio, um dia antes de seu encerramento como estreia da temporada do balé clássico no Theatro Municipal, a plateia estava lotada de um participante público... e o que se apresentava aos amantes do balé era um espetáculo completo: uma união palco e plateia! Não se pode avaliar o comportamento de uma plateia como se estivesse em uma torcida de futebol, mas era tal a azafama que os mais discretos da plateia ficaram surpreendidos. Nosso público estava necessitado, mesmo, de um retorno à tão Brilhante Arte! Nunca tínhamos visto tal agitação em um teatro considerado ( e é...) a catedral do saber erudito!

          Mas vamos lá!

Ainda causando surpresa e encantamento a adaptação realizada pelo de Maitre de Ballet Jorge Teixeira, dando um tom mais  otimista, leve, eliminando a tragédia final e acenando para um futuro repleto de amor para o jovem casal apaixonado: Odette, que se transforma em uma bela moça, e o Príncipe Siegfried, que não teve que lutar com o monstro que aprisionava as moças, quem sabe proporcionando, no futuro, a salvação de todas elas? O que fica é a reação de um confuso e abalado bruxo Rothbart, aflito por ter perdido de vista sua prisioneira, confundindo-a com as outras moças sob seu domínio, e desistindo do combate com o Príncipe, retirando-se de cena. O bruxo Rothbart é interpretado pelo belo bailarino Saulo Finelon.

... E acontece o possível final feliz para o casal apaixonado. Na noite em que nos foi dado assistir, o Príncipe Siegfried foi interpretado por Cícero Gomes, que, com sua Odette, fazia um casal moderno (não propositadamente, mas aos olhos de quem os via), como o homem e a mulher em igualdade de condições, parecendo o Príncipe um comovente menino, em companhia de sua amada.                     

O que também comove neste espetáculo é a perfeição e o empenho dos alunos da EDTM – Maria Olenewa, com sua participação impecável. Havia algumas transformações na coreografia dos cisnes, que concretizavam, em seus gestos, uma organização incontestável: um Lago repleto de Cisnes, mobilizados e participantes da historia... e  não a costumeira  aceitação de seu status quo!  Via-se, na sutil formação dos cisnes, a formação de um Lago, um desenho evidente e mais vivo, energizando a coreografia habitual, sendo o desenho dos Cisnes incontestável, surgido de seus braços delgados com a estrutura física de um cisne: esses braços alongados lembravam as características fundamentais de sua diferença de outros seres da água, e seus  pescoços alongados (talvez só os flamingos possam com eles concorrer...), e a  Mise-en-Scène e Concepção do Espetáculo do Mestre Hélio Bejani, diretor da ETM.  

Mas, se  a coreografia dos  cisnes  lembra o formato de um lago, sua dança também surpreende pela sua mobilidade.  Outra adaptação surpreendente é a interpretação do Bobo (Luiz Paulo), festejado pelos participantes, desde a Rainha até os visitantes ilustres (como Rothbarth e Odile...) e pelos companheiros de cena. O elenco prestava atenção e dava carinhos ao Bobo. Não há recordação de, em outros Lagos, ter visto tal destaque dado ao Bobo. Aliás, este personagem, na interpretação de Luiz Paulo,  mereceu aplausos em cena aberta.

Um destaque para o elenco: a sua preparação como intérpretes e como bailarinos bem ensaiados. Desde as danças regionais russas ou espanholas, e outras, até a interpretação das noivas e dos cisnes. O elenco de Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro está de parabéns! Não esquecendo a bela Rainha, interpretada com discrição e altivez por Priscila Albuquerque.       

Agora um espaço para a Iluminação! Na cena da sedução de Odile, o Cisne Negro, e o arrebatamento do Príncipe em seu favor - até os mínimos detalhes de chiaroscuro, a iluminação foi uma perfeição. Detenho-me na sustentação da orquestra e da luz (transformando-se em um lilás profundo) quando da aparição de Odette sofrendo a sua desilusão, em um plano de luz fictício, contracenando com o staccato da orquestra. A regência de Tobias Volkmann e seus músicos da Orquestra Sinfônica do TM/RJ, e a luz fulgurante de Paulo Ornellas, complementados pelo cenário do próprio acervo do BTM - fazem a cena inesquecível.   

         Parabéns ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro!           

domingo, 8 de maio de 2022

A Vontade como Princípio da Ação

CRITICA DE TEATRO

IDA  VICENZIA

( DA  ASSOCIAÇÃO  INTERNACIONAL DE CRÍTICOS DE TEATRO - AICT)

 (ESPECIAL)


                 Lançamento do livro sobre os anos 90.  O  Teatro Gláucio  Gill, o seu movimento.

                 O livro traz uma apurada pesquisa sobre os anos de criatividade e alegria que só 

         um movimento integrado, como o do Centro de Demolição, um movimento com                   

        alma,  pode ter.   

        Gloriosos anos 90!

        Na verdade, a Historia do Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, um 

         sonho do diretor Aderbal Freire Filho, começou um anos antes -  em  1989 - 

         quando o diretor  procurou realizar seu sonho. 

          Apenas cinco anos de duração foi o périplo de tão brilhante trabalho! 

          Porém foram cinco anos gloriosos!

          Vamos ao que nos surpreendeu na noite de autógrafos do livro sobre o Centro... 

           e  ainda  surpreende: o amor que este movimento criou entre os artistas! 

           No dia do lançamento do livro - 7 de maio de 2020 - estava presente grande 

           parte  dos componentes do grupo. E foi neste momento, nos jardins do Palácio 

           do  Catete,  onde foi encenado um de grandes sucessos do Grupo,   'O Tiro que 

           mudou a Historia',  sobre o percurso de Getulio Vargas até seu gesto final - o tiro no 

           Palácio do Catete.                   


         Neste local, os atores do Grupo recordaram o passado - e, com grande harmonia  

         e um  histrionismo invejável - nos ofereceram músicas e textos de alguns momentos 

         inesquecíveis dos espetáculos criados pelo diretor Aderbal Freire-Filho.

         As músicas foram compostas pelo grupo, ou pelo diretor, ou ainda, 

         adaptadas de outras músicas, como foi o caso de parceria Marcia Duvalle e Claudio 

         Mendes. 

         No dia do lançamento, algumas delas foram lembradas.  

         Momento lindo!

         Encontrada no livro, uma delas remete à composição de Caetano Veloso, 'Oração do 

         Tempo', relembrada por Márcia Duvalle e Claudio Mendes. 

         Se você quiser conhecê-las - e não só as músicas, mas a nossa Historia - leia o livro!

         Eis um trecho da parceria Claudio e Márcia: 

                        

                                                                                         És um grupo tão bonito 

                                                                                         Desigual mas muito unido

                                                                                         Centro, Centro, Centro, Centro


                                                                                         Por seres tão criativo

                                                                                         Trabalhador muito ativo

                                                                                         Centro, Centro, Centro, Centro

                                                                                         Precisas estar sempre vivo  

                                                                                         Centro, Centro, Centro, Centro

      

                                                                                         Acordo de objetivos

                                                                                         União de nossos destinos

                                                                                         Centro, Centro, Centro, Centro

                                                                                         Quero caminhar contigo

                                                                                         Centro, Centro, Centro, Centro 

         

       Escolhemos esta música porque é a união da música popular brasileira com a 

       poesia: o trabalho de Aderbal.

       As músicas, várias delas originais, eram cantadas sob a batuta de  Nico 

       Nicolaiewsky, Tato Taborda, e as letras de Aderbal Freire Filho, e outros. 

       COMENTÁRIO FINAL:  Pena que essa caminhada tão linda tenha sido cortada 

       pelos substitutos de Aspásia Camargo, na Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro!

                 NÃO  DEIXEM  DE  LER  ESTE  LIVRO  DE  ANTONIO  CARLOS  

                                                     BERNARDES                  

        São informações muito ricas sobre o teatro dos anos 90 ...  e suas EXCESSÕES !!!! 

        ... uma delas relatada neste belo e completo livro sobre o que foi o Movimento do 

                     

                 CENTRO DE DEMOLIÇÃO E CONSTRUÇÃO DO ESPETÁCULO                         

        Aconselhamos a leitura deste livro. Conhecer com detalhes a nossa sofrida

                       Historia Cultural é o primeiro passo para compreende-la!

                ENTRETANTO, HÁ MUITA BELEZA NESTE SOFRIMENTO  

                                               E MUITA LUTA!    

                          

                   


             



domingo, 17 de abril de 2022

TAL VEZ

 


I D A    V I C E N Z I A 
(da  Associação  Internacional de Críticos de Teatro - AICT)
(Especial)



TAL   VEZ
 

Cia  de  Ballet  DALAL  ACHCAR

Coreografia  ALEX  NEORAL

Amor? Paixão?

Sim, o tema da abertura já nos põe em contato com a nossa essência:

 “Si tu vois ma mére”

Esta criança vai aparecer de desaparecer, durante o espetáculo, colocando em questão a nossa dor do Amor. “Tal  Vez”...  um espetáculo dedicado ao Amor à Dança e ao Ser Humano – Apaixonado! 

(Seleção e roteiro do coreógrafo Alex Neoral). 

Doce lembrança de nossa sofrida America, nas belas canções espanholas e portuguesas... “De quem eu gosto/ Nem às paredes confesso”... “Quizas, Quizas , Quizas”... e tantas outras!

 (Mas o espetáculo, e Neoral, souberam selecionar as belas criações de nossos 

irmãos do Norte, dando-lhes também um gosto teatral...) :

“When a fall in Love”, “The man I Love”  … e grandes  Manifestações do Amor ... 

chegando a  “El desierto” ... e encerrando com  o apogeu do Amor,  o belíssimo  

“Wild is the Wind”! (com Trislane Maritins e João Luis da Matta).

Percebemos, neste espetáculo, as Delicadezas do Amor, suas Alegrias e Tristezas ...

“Tal  Vez” mostra a chegada de algo que prevemos e sentimos, mas que não 

podemos localizar! São lembranças do passado, unidas a um nebuloso Aqui e 

Agora.

Belo espetáculo de Dança Contemporânea! Vamos a ele:

As nuances das cores que se apresentam em cena, o claro/escuro, a respiração dos 18 bailarinos; o conjunto das cenas vão marcando um hiato entre os acontecimentos, e um desenvolvimento regido pela pulsão clássica! Mistura de linguagens, cores, sons e transparências... Iluminações! ... e a imagem etérea projetada por luzes cenográficas que compõem, com  panos em que o tom rosa impera, são os acortinados de cena, um mix de sonho e fantasia, de efeito singular...

As colocações e o desenvolvimento em cena dos bailarinos envolvidos alcançam a perfeição. A equipe técnica, que tem início com o coreógrafo Alex Neoral, abraça Dalal Achcar, como a mentora da obra e Paulo Cesar Medeiros como o executor da imagem cênica. Sua luz dançante atinge um domínio da cena que comunga com a caixa cênica de Natalia Lana e os figurinos de João Pimenta. Estes figurinos são versões fluidas de movimentos que funcionam como móbiles, dando total fluência na cena. Tal interação pode ser conferida pela plateia ao tomar conhecimento da  mão sempre forte e lúcida do coreógrafo Alex Neoral. O coreógrafo é  conhecido  pelo seu talento, desde o primeiro “Vértice” (2000), da Focus Companhia de Dança, por ele idealizada, Neoral desenvolve uma trajetória que combina  traços clássicos com dança contemporânea.

TAL  VEZ  é aberto pela Companhia  (todo o elenco do espetáculo presente em cena), com imagens poderosas de figurinos dominantes – prometendo o desenvolvimento marcante da cena. Tal expectativa não nos foi frustrada. Na Cena 2 temos a prometida “Quizas...” e seus amores atormentados.  Destaque para Maria Osório, refletida no fundo cênico.

Cena 3 – “When I fall in Love” – com João Luis da Matta e Thais Cabral em destaque. Cena 4 – “The Man I Love” – todo o elenco  (trilha sonora cantada pelos artistas que as tornaram conhecidas, roteiro de Neoral). E as Cenas vão se sucedendo. Impossível citá-las todas. São 16 cenas, com essa História de Amor,  narrada pelas músicas e atuação dos bailarinos.

Interessante detalhe: as músicas latino-americanas vão se intercalando com as notáveis (as mais conhecidas) das músicas norte-americanas. 

Em matéria de Arte, o  mundo é livre!

As demais cenas, não analisadas aqui, são irretocáveis, e cobrem o espectador de emoções fortes. Trata-se de um espetáculo marcante, em que o teatro surge em sua formula imorredoura!

Trata-se de um espetáculo de "Teatro-Dança". As imagens falam por si. Ótima atuação dos bailarinos e da equipe técnica! 

A CIA DE BALLET de DALAL ACHCAR ESTÁ DE PARABÉNS!

ELES ESTARÃO EM CENA HOJE – DOMINGO – DIA 17 DE ABRIL DE 2022.

 NÃO PERCAM!

 

     

sexta-feira, 15 de abril de 2022

I N T I M I D AD E I N D E C E N T E

 I D A   V I C E N Z I A

(da Associação Internacional de Críticos de Teatro -  AICT)

 

I N T I M I D A D E   I N D E C E N T E


Eliane Giardini substituiu Vera Holtz ainda em Portugal. 

(2021/2022  estreia Brasil – Teatro dos 4 – Rio de Janeiro). 

Foto Divulgação, com Marcos Caruso, seu companheiro de elenco.


                     Marcos Caruso e Vera Holtz encenação de Intimidade Indecente em Portugal.

Direção Guilherme Leme Garcia.



 2001 – Theatro  RENAISSANCE – São Paulo :

 Marcos Caruso, Irene Ravache e a autora Leilah  Assumpção. 

(Crédito João Caladas)


Historia de Amor?

Não sabemos se é uma comedia romântica ou uma Historia de Amor: o fato é que é “Uma Historia de Vida”!

No dia em que assistimos ao espetáculo algo incrível aconteceu, e a historia de vida tornou-se tão real, que já não sabíamos se a cena que estávamos presenciando (nós, da plateia), era um recurso do diretor, ou uma visão de vida... real. Palpitante!

O fato é que a saída daquele espectador - um senhor de idade avançada -  tropeçando nas escadas, quase caindo no colo do público! ... era real !!!

...  ou uma encenação da direção?

Viver a Realidade é quase insuportável? O fato é que o teatro nos pega pela emoção, e já não sabemos o que é encenação! “Intimidade Indecente” nos dá essa sensação de irrealidade real !!!

    Estamos nas mãos de Marcos Caruso e Eliane Giardini que, dessa vez, e aos poucos, vão se tornando grandes ... enormes... de emoção e talento, vivendo seus personagens Mariano e Roberta!  É “A Vida como Ela É”, sem Nelson Rodrigues, que vai se delineando em nossa frente! Tudo arquitetado por Leilah Assumpção e regido por Guilherme Leme Garcia! Leilah Assumpção, a nossa deusa dos anos 70, continua de pé, e muito viva. De sua cabeça saiu essa amostra dos terríveis anos que vivemos, enquanto a morte não chega. Dramático, selvagem, e fabricado para grandes atores!

    Dos 60 anos ...  até  aos 100 –  é  o  diabo  que  rege! ... (na peça vai

até  aos  90  anos,   depois é o apoteótico final).      

NÃO  PERCAM!

Neste espetáculo, Técnica perfeita, nas mãos de profissionais que sabem:

Direção de Guilherme Leme Garcia.

Cenografia bem ao estilo de Aurora dos Campos, alguém que dá  uma visão doméstica ao mais alucinado dos textos! Luz de Tomas Ribas; Direção Musical Aline Meyer.

Assessoria de Imprensa: João Pontes e Stella Stephany    

É BOM VER BOM TEATRO!

 


terça-feira, 5 de abril de 2022

O A L I E N I S T A

       

 C R I T I C A  D E  T E A T R O


I D A   V I C E N Z I A

(da Associação  Internacional de  Críticos de Teatro – AICT)

(Especial)

O  A L I E N I S T A

 

Simão Bacamarte e o cérebro de um paciente.

O diretor-autor  Gustavo Paso  escolhe muito bem as suas inspirações. Primeiro virou a nossa cabeça com Harold Pinter e sua Festa de Aniversário!... e agora nos vem com esta surreal  montagem de Machado de Assis.

A Arte se alimenta de Metáforas... E com genialidade. ... como a que os autores Gustavo Paso e seu “companheiro de meninice”, Celso Taddei utilizam, para construir essa “figura de linguagem” que é  adaptação do magnífico O Alienista, de Machado de Assis!   

Vamos  a  O Alienista!

Com uma lista de 14 atores (no dia em que assistimos eram 15, pois Gustavo Paso resolveu participar da brincadeira, entrando em cena!), e um cenário espetacular, musica idem, iluminação “dançante”, ele nos carrega, através de 1 hora e 30 minutos (mais ou menos), a um brilhante trabalho de analise critica, ironia, selvageria, indignação, falsidade e loucura, para nos advertir que o mundo não muda, por mais que Bertold Brecht e tantos artistas lúcidos tentem mudá-lo. Isso acontece desde sempre, porém agora, confrontando o século XIX com o século XXI, pensamos que ela, a mudança, está sempre e cada vez mais distante, para nossa tristeza!

Mudará, algum dia?

Gustavo Paso credita na Patafísica (uma crítica à lógica racional, segundo o diretor do espetáculo) para nos mostrar o mundo de Itaguai (uma pequena vila onde transcorre a historia), e o estreito caminho entre o mundo do conto de Machado, e a nossa vivência, nos faz crer que estamos, mesmo, dentro de uma lógica irracional. Mas nem tudo está perdido: ocorre, na plateia, o sonho de todo artista! Ela está lotada! De professores, alunos... e amantes de teatro!

Pelo polêmico tema em questão vemos, com alivio, que não atraímos, e esperamos não atrair: os raivosos! (E quando dizemos “raivosos”, esperamos que nos entendam).

Quanto ao elenco, temos só surpresas. (tirando Samir Murad, meu conhecido de outros teatros, os outros são novidade, para mim). Mas podemos reconhecer que Simão Bacamarte apresenta o ator Romulo Estrela, muito empenhado em sua atuação, embora sua dicção ainda tenha momentos de irregularidade. Sua companheira, D. Evarista, interpretada por Luciana Fávero (minha conhecida de outras peças) continua, e cada vez mais, com seu poder de “transformação de um corpo em outro corpo” como o quer a Cia Epigenia em ação.

Aliás, a Direção de Arte, Cenário e Visagismo são de Gustavo Paso. Ele queria algo Expressionista, que lembrasse O Gabinete do Dr. Galigari... e o conseguiu! A iluminação “dançante” é do mestre Paulo Cesar Medeiros.

Em tempo: a Cia Epigenia foi criada por Luciana Fávero e Gustavo Paso, e completa hoje, ano 2022, 22 anos de sua criação! Orgulho nosso, da gente de teatro, ter uma Companhia que consegue estabilidade. Torcemos por ela!     

No elenco Glaucio Gomes, Tatiana Sobral, Renato Peres, Laura Canabrava são nomes que nos soam conhecidos, mas é tão difícil localizá-los na historia do nosso teatro! Longa e meritosa vida a eles! (É estranho para uma crítica não poder se alongar sobre todos os atores... mas o elenco me ultrapassa, confesso!), a maneira com que se apresentam em palco, sua energia e talento já nos preenche a alma! Claro, há também Tecca Maria, Anna Hannickel, Dodi Cardoso, Renato Ribonee, Erik Villa, Eduardo Zayit ... e Vitor Thiré (da família teatral tão nossa conhecida?). Ele faz o pastor, enquanto Dodi Cardoso é o representante da Igreja Católica.

Neste espetáculo todas as classes têm seu momento de cena, principalmente a dos políticos, com suas votações segundo os seus interesses... A semelhança com os nossos dias trouxe o pensamento dos anos 70, e  a preocupação: “Mas como deixaram subir ao palco uma crítica tão clara dos governos e da sociedade atual?”

Eis aí mais um exemplo da independência desta Companhia.    

E todos os detalhes do espetáculo são acertados. Trata-se de uma linguagem moderna. Expressões acentuadas por máscaras pintadas, os figurinos (de Graziela Bastos), dão grande poder estético para a cena... as coreografias são de Edio Nunes (excelente bailarino e ator), e o cenário, surpreendente, é de Gustavo Paso... Há também vozes cantadas, e a música de André Poyart, nosso conhecido de Festa de Aniversario. Neste espetáculo, Festa... (texto de Harold Pinter), Poyart executava seu Beethoven escondido nas alturas da cena! Em O Alienista ele executa sua música nos bastidores da cena... Entendemos este mistério, e o perseguimos!

Durante o espetáculo ouvimos a voz de Machado envolvida com a de Gustavo Paso e Celso Taddei. Seus DOIS projetos de crítica ao estado eterno, de nossas decepções, é impressionante! E funciona como advertência para o que pode vir.  

Vida Longa a O Anarquista!

É BOM VER BOM TEATRO!      

Eles ficam no Teatro das Artes até domingo, dia 10 de abril, depois saem em excursão e participação em festivais.

Produção Executiva: Junior Godim

Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa