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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

 

IDA VICENZIA – CRITICA DE TEATRO

(da Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT)

MATÉRIA ESPECIAL:

“LUGARES QUE O DIA NÃO ME DEIXA VER”


                                             João Fernandes, artista criador da Cia. de Idéias.

                                                                Casarão de Idéias


João Fernandes e o seu Casarão de Idéias:

... Eis que João Fernandes, artista cearense radicado em Manaus, acaba de nos proporcionar, em 2020, um belo "livro-revista" com fotos destacando aspectos de uma Manaus fantasma, desaparecida, nos idos do século XIX... O artista preenche a solidão dos casarões abandonados com a sua imaginação!

Trabalhando com Fernandes estão Jeyder e Wagner Eleutério, os técnicos de luz que dão a dimensão da beleza daqueles lugares...e também uma equipe de fotógrafos: Bruno Bastos, Ruth Jucá, Marcus Pessoa e Carlos Navarro, possuidores de grande sensibilidade.

João Fernandes é uma personalidade cultural da cidade. Já foi Coordenador Pedagógico do grupo de dança da Faculdade de Manaus (UEA), e também pertenceu a equipe de criação do Curso de Teatro desta Faculdade. Sua experiência cultural é cercada por  invejável currículo (tem mais, muito mais), porém, a mais importante de suas qualidades – sem desmerecer as outras - é a sua alma de artista.

Graças a sensibilidade de Fernandes temos um trabalho, requintado, sobre os tempos idos da borracha. Quem folheia com cuidado o seu livro adquire uma necessidade interior de ver todas aquelas maravilhas - agora em colapso - novamente erguidas!

                                    A  ANTIGA  ARQUITETURA  DE  MANAUS

O livro de João Fernandes -  “Lugares que o dia não me deixa Ver” - editado com a cooperação da Prefeitura da Manaus, nos leva a imaginar a reconstrução daquilo que foi tão belo! Para os amazonenses a abandonada arquitetura é o “Centro Histórico de Manaus”, mas para quem a visita - como é o meu caso - é a História de Manaus que está retratada nestes caminhos que dominam a cidade. Temos a impressão, neste primeiro contato com sua arquitetura do século XIX, que realmente se trata de uma cidade do passado, ou que ficou desta cidade (abstraindo os tão conhecidos Teatro Amazonas, o Mercado Municipal e outras obras que a caracterizam), o destaque que o autor dá a seu livro é de outra natureza. Peço licença para informar que, para mim, a Manaus de hoje está cada vez mais parecida com Miami,  suas estradas a desembocar em bairros repletos de edifícios modernos e shopping centers. Ai de quem não tiver carro! Só se salva a parte antiga de Miami. 

Mas isto não nos interessa, o que nos empolga é a súbita visão de uma Manaus que já não existe mais. E é o que descobrimos no livro de Fernandes: a verdadeira Manaus anda perdida, já não prestamos atenção ao que nos rodeia, não valorizamos este estranho encontro que vislumbramos a partir do livro de Fernandes. Somente olhando a cidade com os "olhos noturnos" do autor percebemos o lugar que nos acolhe com tanta beleza, seu olhar nos abre o caminho do passado, que acabou por se tornar tão misterioso! Olhemos algumas fotos, vale a pena guardá-las com carinho, na memória e na biblioteca de nossas casas.

O Casarão também publica a revista Idéias Editadas (assim mesmo, com acento agudo na palavra Idéias), como costumava ser escrita no Brasil. A revista nasceu antes da entrada do Brasil no Novo Acordo da Língua Portuguesa entre Portugal e países da Língua Portuguesa. No Brasil o acordo só entrou em vigor em 2016, depois do lançamento da revista, realizado em 2011. E foi uma confusão! A própria Cecília Meireles, que faleceu em 1964, costumava dizer, em tom divertido, que estes acordos (e foram vários, enquanto ela viveu), sempre a levavam a estudar novamente o Português.

Na revista Idéias Editadas os artigos; entrevistas e a programação cultural da cidade estão nela publicadas. A revista sai de três em três meses; a próxima, se tudo der certo, sairá em dezembro de 2020. 

É preciso não esquecer que o casarão é um verdadeiro movimento cultural cuja raiz é a Cia. de Idéias, um grupo de Teatro e Dança fundado em 2005, que participa de festivais e organiza cursos, palestras, leituras dramáticas, exposições de artes plásticas, sessões de cinema, e possui uma biblioteca especializada que trabalha também com empréstimo de livros... além de disponibilizar de um bar com cafezinho e quitutes de primeira, que atraem artistas e visitantes. A revista é distribuída gratuitamente, para o público amante do teatro e para os artistas de Manaus. Idéias Editadas possui temas os mais variados, escritos por profissionais do ramo. No grupo do Casarão constatamos a presença, na revista,  de João Fernandes, Vitor Lima, Dyego Monnzaho, Wellington Junior, e, eventualmente, o crítico Jorge Bandeira - entre outros.          

Agora convido aos meus leitores para darem uma olhada nas fotos do livro-revista de João Fernandes, "Lugares que o dia não me deixa Ver", e ter uma dimensão do poder de comunicação deste artista. 

Vamos lá?

Booth Line (séc. XIX)



O Passado (séc. XIX) espreita os jovens que se manifestam ao longo 
do prédio da antiga Booth Line.



  
    Um prédio da época: Av. Getúlio Vargas esquina com a Rua Leonardo Malcher  

FANTASIA COM O PRÉDIO  DA  AVENIDA GETULIO  VARGAS  -  "FIGURAS DO PASSADO" (foto Produção)



                     CLOSE DO PRÉDIO E ILUMINAÇÃO DA EQUIPE DA CIA. DE  IDÉIAS 
                                             AV. GETÚLIO VARGAS - CENTRO DE MANAUS

Quem se interessou pela visão linda deste passeio por Manaus pode encontrar os seus criadores na sede da Companhia, localizada à Rua Barroso, 293 - Centro. 
(Tel: 92 - 3633-4008).

segunda-feira, 8 de junho de 2020

O POETA ESTÁ COM MEDO - BLOG DE IDA VICENZIA (AICT) - Associação Internacional de Críticos de Teatro

  1. Município de Itacoatiara terá 1ª edição de festival literário ...  ELSON  FARIAS 


  1. A obra deve ser lançada nesta quinta-feira (4) às 18h20, na Livraria Leitura – no Amazonas Shopping, Zona Sul de Manaus. 
  2. ALDÍSIO FILGUEIRAS

Os poetas conversam. Como nos versos dos chineses do Século V. - A.C.- estes dois 
poetas amazonenses, Elson Farias e Aldísio Filgueiras, também se correspondem
 através da poesia! Mais uma vez, e para nossa surpresa, a experiência de Murasaki 
e Genji renasce. Estes dois poetas amazonenses reinauguram a forma, e é tal a beleza
 de seus versos, que resolvemos reproduzi-los. Perdoem-me os amantes do teatro por 
não estar mais transmitindo em meu blog as peças estreadas em nosso país. Teatro é 
convivência, é respiração. Infelizmente, neste tempos estranhos, ele ficou no limbo,
 aguardando os nossos sonhos. Mas sempre sonhamos - e a nossa capacidade de
 sonhar estabeleceu esta bela correspondência entre os dois poetas amazonenses do 
século XXI. Seu sonho é verdadeiramente um sonho teatral. Vamos a ele!

ELSON FARIAS ESCREVE:

Bom-dia ALDÍSIO

O  POETA  ESTÁ  COM  MEDO


Borboletas amarelas
deixaram de aparecer
nos espaços das janelas.

Desistiu a saracura
de cantar pela manhã
no meio de tanta chuva.

Corta no espaço um relâmpago
o temporal na cidade
encheu as casas de pânico.

A lua sumiu nas nuvens
presa sem saber porque
entre assassinas impunes

O urutau  prega o caixão
a corujinha se cala
voa o morcego ladrão.

Querem votos os políticos
e disputam seu lugar
no lugar que era do vírus.

Não guardo nenhum segredo
o poeta está com medo.

(31/05/2020)

Abraços,
ELSON.


Eis a resposta de ALDÍSIO:


SÓ OS MORTOS NÃO TÊM MEDO

ALDÍSIO FILGUEIRAS

Meu caro, Elson, sou grato,
por este anúncio de sete
sílabas com que acordas,
também em mim, esse medo,
que espreita sem respeito
janelas sem borboletas.

Não te aflijas: só os mortos
não têm medo, poeta.
Eles cavalgam helicópteros
e cavalos sobre o verde
que apazigua as praças
públicas, porque a paz

os incomoda no tédio
que deve ser estar morto;
e desafiam a lei
da gravidade com voos
cegos que atropelam vidas
de gente e borboletas

amarelas, azuis, brancas
ou verdes que farão falta
ao arco-iris e à grama
que eles, os mortos, comem
à farta, pelas raízes.
Aves que não cantam mais.

já tiveram onde pousar
a elipse do seu impulso
exato. Figuras fortes,
recuperam-se do espanto
e resgatam à tempestade
a rima nobre do pânico.

trazida pelo relâmpago,
e não mais perdem o ânimo:
o susto inventa a cautela
e o caminho das pedras.
Janela sem borboletas,
espaços sem sinfonia

de pássaros, são imagem
e semelhança da cidade,
uma paisagem de lápides
imóveis, sem ressonância
- ali vinga o que se cala,
cada um com seu recalque,

culpa e arrependimento,
do que se chama pecado.
Querem votos os políticos?
Que se danem! Estão mortos!
Tudo o que fazem é visagem.
Bois, bois, bois de cara preta,

quanto querem de gorjeta?
Não guarde nenhum segredo,
Elson, diga às borboletas;
se a lua míngua na chuva
escancare a janela
e avise aos navegantes,

sem medo de morder a língua
ou quebrar o metro do verso:
"Sim tenho medo, logo, existo".
 
     

terça-feira, 21 de abril de 2020

UM POETA NADA COMUM




   IDA   VICENZIA

    (Da  Associação  Internacional de Críticos de Teatro - AICT)

     (Especial)
   Ai de ti, Manaus – Parletres
  O poeta Aldísio Filgueiras no Centro de Manaus. (Foto da Produção) 

     Vamos tentar falar sobre o poeta Aldísio Filgueiras - o que não é fácil. Este poeta, cujo nome é um jogo de consoantes que parecem desafiar a própria língua: Aldísio Filgueiras! 
     Ele é um jornalista bonito, física e moralmente: o resultado da união de um casal de ascendência nordestina. Eles vieram morar em Manaus, D. Diamantina e seu Aloísio. Ela de  Roraima, ele de Cruzeiro do Sul, no Acre, dois lugares não propriamente nordestinos. Pelo que entendi, o poeta lamenta não ter nascido no Nordeste, onde o casal de ascendência nordestina, Diamantina e Aloísio, poderia ter se encontrado. Assim hoje o poeta estaria cercado do bravo povo de lá. Seria bom para o poeta?   
     Mas o primogênito do casal ao menos conseguiu fugir do futuro, fugir de ser o cabeça da família, por ser o primogênito. Isso não é brincadeira, ainda mais no Nordeste!
       
      Preferiu ser poeta...  
    E eu aproveito para dizer, no meio desse imbroglio, o que o diretor de teatro Antonio Abujamra dizia para seus atores: “Senta aí e conta a tua vida”:
     E Aldísio conta, sem reclamar, complementando:  se tivesse nascido no mesmo dia de Luiz Carlos Prestes, teria seu nome, porém o caso se deu alguns dias depois, em 29 de janeiro, e seus pais optaram por batizá-lo com o nome de outro guerreiro: o general Aldísio. Seria general, o seu xará?  Nunca saberemos, mas o fato é que o nosso poetinha nasceu dois anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Tudo indicava que seria um homem da paz. Seu pai, o delegado Aloísio, depois de alguns anos de convivência com um ainda desconhecido poeta, chegou a uma conclusão: “Você é um cara inadequado”.
    Hoje o poetinha diz que os brasileiros são uns caras nascidos na Casa Grande, mas que tem as garras na Senzala.  Aldísio Filgueiras nos faz encontrar Gilberto Freyre. Esta aproximação nos dá a medida da indignação do poeta. Vejam só, estamos em 2020, e o povo brasileiro ainda não se conhece, não sabe do que é capaz. Para a Bem ou para o Mal.       
     Mas o poetinha é diferente da grande maioria dos brasileiros, Ele  lê! Lê muito, e não só os poetas de sua preferência como Maiakovski (um Amore Nostrum!) - mas muitos outros! 

          Eis um trecho do poema O Amor - do poeta russo: 

                   Um dia, quem  sabe,/ 
ela, que também gostava de bichos,/  
apareça,/
numa alameda do zôo,/sorridente,
tal como agora está/ 
no retrato sobre a mesa.//

   Maiakovski! Mas Aldísio Filgueiras não lhe fica atrás. 

Eis Aldísio:

       "Amo você, já quase me esquecia/ 
Sobre o surdo sabre /Das flores/  Aos poucos goles/ 
Selo/ 
E monto a palavra/
Sim/
E mordo a palavra/                            Não//                           
(Malária, Filgueiras, p.54)

        Ele lê também Eliot, Pessoa, 
 William Carlos Williams: além de 
estar sempre atento à Historia e aos 
acontecimentos do cotidiano. 

    Aldísio, como um bom poeta, adora andar nas ruas, nos ônibus, ver as pessoas... Em Manaus isto é um prato suculento... a  palavra deflagra um mundo diferente.

     Hoje, 2020, ele é vitima da inevitável epidemia das ruas, e comenta: "As minhas unhas vão cair,
de tanto lavar as minhas mãos".
     
     Incrível.

  No início de sua vida, como costuma acontecer com os poetas, 
todos na sua casa achavam que ele
seria um homem inútil. A inutilidade
de Aldísio se revelou inspiradora e
surpreedeu a todos. 

     Ele fabricava versos!
  
 Inesperados versos, mal compreendidos:   
        
               "Ah! A poesia aqui 
               Meu filho,
               É uma doença tropical

       (Malária, p.44)

... e se transformou em um poeta censurado!

     Também, em pleno 1968 foi escrever poemas e teve editado um livro: Estado de Sítio! "Ele anda meio perdido por aí" - dizem os seus
leitores. Na verdade, ele já está na terceira edição. Nesta últtima, em 2018, foi comemorado os 50 anos de sua primeira edição. Bela História!

      Neste poeta habita um jornalista. Suas poesias são grandemente ligadas a acontecimentos históricos, ou refletem sobre tempos passados. 

Tempos difíceis de viver. 

     Mas as coisas não mudaram muito - diz o poeta/jornalista, e declara: "O capitalista não existe, o dinheiro é hermafrodita, se reproduz sozinho e vai pra mão de quem ele quiser ... Acabou esse negócio de Liberdade - Igualdade - Fraternidade! - e as mulheres hoje são educadas para administrarem uma economia de macho!"

     E o poeta se rebela, em versos: 
         
         si vous avez sejourné dans/

         une zone impaludée/

         vous avez pu contracter/

         une forme dangereuse/ 

        de paludisme

                        maleita
                        malásia
                        macumba
                        maconha
                        m ****

     (Malária, p.23)

     Nos despedimos deste poeta sem rótulos, brilhando assim como uma luz na selva, cantando:
          "Começar

num começo novo

no vazio 
do mundo

como quem nasce 
lambe a lama 
da pele na vala

comum

de lugar nenhum

e se descobre

vivo

- cara, mas que alívio!

(Aldísio, "Cidades do Puro Nada"),  
                       (2018)
   

     Ah! Já íamos esquecendo , foi ele quem compôs o belo texto Porto de Lenha, em companhia de seu amigo e parceiro Toquinho, e que está se transformando no hino de Manaus! Palmas para ele, ou como dizem os ingleses:
 "Give me your hands!"
                ______________________________PS: (A gente pode não gostar dos norte-americanos, mas este pedido de aplauso é genial! Give me your hands. Será que não foi o pessoal das Ilhas Britânicas que o inventou???). 
    

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

FREUD E MAHLER





'Freud e Mahler' - Giuseppe Oristaneo e Marcello Escorel. (Foto Divulgação)


IDA VICENZIA
(da Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT)
(Especial)

      A autora da peça FREUD E MAHLER, Miriam Halfim, explicita de tal maneira o tempo, e as motivações, de dois homens que modificaram o mundo da Música (Mahler), e o da Mente (Freud), com palavras tão marcantes que, ao encontrar sua escrita revivemos a emoção da cena. Mas agora, ao evocarmos a direção de Ary Coslov, a dimensão é outra, e algo mágico pode acontecer, pois vamos criticar a encenação.

     O encontro do psicanalista e do músico se deu em 1910, na Holanda. As motivações para esse encontro podem ser as mais diversas, mas, no caso de Mahler, foram as do coração. Casado com a bela musicista Alma Mahler, a insegurança tomou conta do músico. Tal sentimento não foi ocasionado pela competição artística - como bem podemos imaginar - mas por ser Alma uma mulher irresistível.

     Aqui estão colocados os ingredientes para uma refrega emocionante entre um pesquisador da alma humana (Freud), e um arrebatado artista das emoções, o compositor Gustav Mahler. Como diz Coslov: este foi o encontro do pensamento com a emoção - reconhecendo Coslov - : Isso não quer dizer que Freud deixasse de lado a emoção, ou que Mahler não usasse seus pensamentos. 

     Podemos acrescentar que este encontro dá à peça fluidez e equilíbrio. Miriam Halfim mostra, em sua mais recente criação, grande lucidez ao desvendar os tortuosos caminhos da paixão. Sim, porque a cena se desenvolve através da emoção de dois seres que se aprofundaram em suas  escolhas de vida.

      E, no momento em que, no palco, os dois artistas, Marcello Escorel e Giuseppe Oristanio, aguardam a chegada do público, a peça começa a atingir o seu contorno definitivo. Neste momento os dois atores, descontraídos, sorriem para o público. É quando percebemos a transformação que virá. Com uma sutil mudança de luz, os atores se transformam em personagens!

     É neste momento que percebemos a determinação do diretor. Ao buscar a fala dos personagens, Coslov impõe a sua fala, bem estruturada, transmitindo a riqueza do texto de Miriam Halfim.

     Percebemos também, com sôfrega atenção, que a autora, ao escolher o caminho que será percorrido pela sua escrita, consolida, no palco, a expectativa do que havia sonhado para a sua obra. Sim, o autor percebe quando está no caminho certo. E é com grande atenção que o público acompanha o acerto daqueles quatro artistas.

     Sim, temos Miriam Halfim, com sua competente escrita; Ary Coslov e a acertada direção; e temos Sigmund Freud - Giuseppe Oristanio – que, com sua bem dosada ironia, reconhece em Mahler, seu cliente, o desejo de esconder seus sentimentos. E, finalmente, temos Gustav Mahler que -  não se sentindo muito à vontade - tenta levar a motivação de sua visita para um patamar menos comprometido do que o ciúme. Porém, a combustão não se faz esperar. E vemos um Marcello (Mahler) Escorel ora reticente, ora explosivo, mostrando o artista em sua grande cena, quando confessa a Freud o seu ‘temor de amor’! E, a partir dessa confissão, temos a delícia do jogo de de cena de Giuseppe Oristanio e Marcello Escorel!

   Ary Coslov esclarece: tanto a força de raciocínio de Freud quanto os transbordamentos das emoções de Mahler permaneceram como legado para as gerações posteriores. – Ao que a autora Miriam Halfim acrescenta: sempre admirei Mahler e quis escrever sobre ele. 

     Para nós foi inesquecível o dia em que fomos estabelecer contato com eles, no teatro.

     A trilha sonora escolhida para o espetáculo foi a 6ª sinfonia de Mahler e seus vários movimentos. Criação da trilha sonora, Ary Coslov. Na trilha tem também Frank Zappa – Tributo a Edgard Varese. O cenário, com referências clássicas, é de Marcos Flaksman, e a Luz, de Paulo César Medeiros. Figurinos de Brunna Napoleão. Assessoria de Imprensa Ney Motta.
É BOM VER BOM TEATRO!




quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

FRANÇOIS TRUFFAUT - O CINEMA É MINHA VIDA

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 Brunno Rodrigues,  Patrícia Niedermeier e Cavi Borges ombreados pelos gigantes François Truffaut e Jean-Pierre Léaud  (Foto Divulgação)
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Apresentação do Espetáculo: Patrícia Niedermeier e Jean-Pierre Léaud (Foto Divulgação)

IDA  VICENZIA
(da Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT)
(Especial)

     Muito prazer, Patrícia Niedermeier! Tivemos ocasião de assisti-la no belo espetáculo ‘François Truffaut – o cinema é minha vida’, do projeto ‘A Peça-Filme’. Trata-se de uma aproximação do cinema com o teatro. Ou melhor, uma aproximação das várias linguagens artísticas, entre elas o teatro-dança. Sim, estamos na presença de Niedermeier, uma bailarina-atriz!

     Ou, como nos indicam Cavi Borges e o roteirista e também idealizador do projeto, Rodrigo Fonseca - o espetáculo ‘minha vida’ é uma aproximação entre cinema e teatro, buscando atrair os amantes de cinema que não curtem teatro, e vice-versa. Boa pedida.   
     A direção também é de Cavi Borges e Rodrigo Fonseca. Este último é autor do texto e alterna, em dias variados, com Brunno Rodrigues (encarregado da projeção das cenas/teaser e making of), no papel de memória afetiva (entrevistador?), de Patrícia/François Truffaut! Sim, Rodrigo Fonseca também entra em cena no papel de entrevistador, mas na noite em que assistimos ao espetáculo Brunno era o personagem, e ele se dirige a Patrícia Niedermeier/ François Truffaut em uma espécie de ‘evocador de memorias’, (estimulador?), da vida do cineasta. Brunno cumpre seu papel de maneira charmosa.

     O espetáculo ‘FRANÇOIS TRUFFAUT – o cinema é minha vida’ capta momentos do cineasta lutando com sua inadequação para a vida, até a descoberta do cinema e da sua comunicação com o mundo, através dele. Assim, ouvimos Patrícia/ Truffaut se lembrar dos momentos em que estava procurando saber quem era. Para recuperar o momento sublime, só  recuperando as cenas que são tecidas pelos filmes de Truffaut e pelo texto de Rodrigo Fonseca.

     Aliás, este texto deve muito, também, às pesquisas de Cavi Borges em sua videoteca Cavídeo (e na internet), estimulando cenas inesquecíveis. Lembramos  Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud), o ator que dá vida à obra de Truffaut, o famoso alter-ego do cineasta, abrindo para o público a descoberta do menino ator, em sua primeira entrevista com Truffaut, e nas cenas dos filmes que se seguiram! Aliás, o texto de Fonseca é uma epifania à obra de Truffaut... A presença de Doinel menino, na tela, se reproduz também na interpretação de Patrícia Niedermeier, ao vivo, no espaço teatral.  Eis uma bela concepção de espetáculo.

     A equipe técnica é de primeira. Iluminando o pequeno espaço (20 lugares) do Estação Botafogo, temos Luiz Paulo Nenem, em sua concepção minimalista e concentrada. O Design da operadora é realizado pela Rosebud (não é por nada, não, mas este pessoal adora cinema, até Orson Welles entrou na dança!). A Produção  Logística é de Marina Trindade. Com Assessoria de Imprensa de Guilherme Scarpa e Fábio Dobbs. O espetáculo é apresentado aos sábados e domingos, somente. NÃO PERCAM!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

CLÁSSICOS DO TEATRO - ARTHUR AZEVEDO

Resultado de imagem para Fotos de Maria Rita Rezende e o "Teatro de Roda" de Arthur AzevedoFoto do Elenco do Teatro de Roda. Ao centro, Maria Rita Rezende e Luciana Albertin, diretoras.

IDA VICENZIA
(da Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT)
(Especial)

     A diretora Maria Rita Rezende encontrou uma maneira arejada, e  criativa, de trazer o nosso Arthur (ou será Artur, na nova grafia?) Azevedo, para o  convívio do século XXI. E assim podemos assistir, às segundas feiras, e no horário das 20h, os alunos do curso de Interpretação - criado por Mariozinho Telles em seu Teatro de Roda - reproduzirem situações hilárias, orientadas pelas mãos e pela imaginação de duas atrizes/diretoras, Maria Rita e Luciana Albertin, que divertem o público com uma versão popular do teatro de costumes de Arthur Azevedo.  Trata-se de jogos teatrais do Projeto “Clássicos de Teatro”, criado por Mariozinho, vivo no simpático Espaço Rogério Cardoso, da Casa de Cultura Laura Alvim.

     ...E La Nave Va!

     Com alunos dos 18 a 80 anos, o clima é de total interrelação entre o objetivo alcançado (representar o espírito carioca do início do século XX), e o convívio, sempre agradável, com as diferenças, inclusive as do público... e a disposição do elenco de se entregar a esta rica experiência! Há, no Teatro de Roda, o grupo dos alunos, como Carol Martins, Lucia Farias (uma excelente comediante),  Lenilson de Mello, e outros, que fazem uma apresentação minimalista, recorrente, de cenas do cotidiano, entre namoros e fofocas da vizinhança, que já não existem mais, em nossos tempos cibernéticos! E o que fazem estes espíritos transeuntes? Dançam modernas e maliciosas danças, e se arrepiam estrepitosamente, para espanto e delícia do público que os rodeia. Sim, os rodeia, porque o Espaço Rogério Cardoso é mínimo - e acolhedor - como sabemos!

     Este mesmo grupo do Teatro de Roda ensaia (e monta) Shakespeare, por exemplo! Seu último Romeu e Julieta foi simpaticíssimo, e agora eis que se prepara – feito pelos atores já formados, do grupo – uma Megera Domada!

     NÃO PERCAM ESTE ARTHUR AZEVEDO! A MÚSICA É BOLADA POR ELES, E OS MOVIMENTOS TAMBÉM. TUDO REGIDO POR MARIA RITA E LUCIANA ALBERTIN – QUE MARCAM O COMPASSO COM ATENTA DIREÇÃO.