sexta-feira, 20 de agosto de 2021
terça-feira, 16 de março de 2021
VACA MALHADA DE HEMATOMAS
V A C A M A L H A D A D E H E M A T O M A S
POESIA
IDA VICENZIA
(da Associação Internacional de Críticos de Teatro –
AICT)
(Especial)
P
O E S I A S D E S T E L L A
S T E P H A N Y
A poeta descendente de iranianos, nascida por acaso na Bahia (Salvador) - foi ainda um bebê para o Rio – onde viveu até se tornar a poeta que surpreende em seu primeiro livro.
Seus
pais?
Vindos
do Oriente Médio... Aida e Frederick.
Ela,
cantora de Ópera, virou dona de casa, no Brasil. Ele, violinista - o
“Turquinho” da orquestra, no Brasil...
Diz
Stella sobre o pai, Frederick Stephany: “Camaleão poliglota de sete línguas:
português, iraniano, armênio, italiano, inglês espanhol... Lugares por onde passaram, em alguns deles viveram,
suas línguas, aprendeu-as”.
AIDA
STEPHANY, a mãe de Stella, era uma mulher
cheia de segredos... Dez anos viveu com o pai de Stella, na Itália... e depois veio
para o Brasil. E aí começou a Historia
de Stella Stephany.
Seu
livro, VACA MALHADA DE
HEMATOMAS - já começa a surpreender,
desde seu título, cuja capa Carcarah desenhou, e batizou
de “ Fim de Tarde na Cidade”. Linda capa.
Vocês
conhecem “Carcarah”, pois não? Trata-se de Henrique de Macedo Figueiroa, ilustrador e produtor premiado. Lembram dele?
Pois
bem, este começo já promete. Depois Mario Bortolotto fez a orelha do livro,
onde o diretor de teatro e dramaturgo diz coisas assim:
“Ela
se derrama despudorada esmiuçando o cotidiano de uma mulher escandalosamente
contemporânea que prefere deixar “o rabo de fora”.
Mas
será só isso?
Meu
Deus, como existe uma poeta assim, em pleno Século XXI, andando ao nosso lado
na rua... nos teatros... e tendo Clarice Lispector para lhe abrir as portas?!
“Escrevo porque não me entendo” – diz Clarice,
...
e Stella assina embaixo. E nos brinda,
já de saída, com sua remota idade de 150 Anos:
“Já
fui muito velha” – nos diz Stella em seu poema de abertura de VACA MALHADA
É T AN T A
C O I S A
(no
poema)
150 ANOS
Já fui muito velha.
Tive 150 anos. Foi quando
meu pai morreu.
Enruguei toda...
(...
e assim Stella caminha - apesar das dores... - até
chegar aos 17 anos.
Mas não é essa a sua idade cronológica!... é a do
poema!
É T AN T A C O I S A
(no
poema)
150 ANOS
Já fui muito velha.
Tive 150 anos. Foi quando
meu pai morreu.
Enruguei toda...
Mas tudo se aproxima, para nós seus leitores, quando Bianca Ramoneda se pergunta:
“ P o r q u e e s c r e v e r s o b r e a l g u é m s e esse p r ó p r i o a l g u é m – c o m seu talento e força –, é plenamente capaz de dizer sobre si o que quer que seja?”
E
Bianca
Ramoneda (Editora de Conteúdo de Vaca Malhada), nos adverte que se trata de um
livro para adultos.
________________________________
A POETA DIZ QUE ESTÁ EM
TRANSIÇÃO
(E se apresenta):
Estou
em processo de transição Stellar.
Parei com os alisantes de comportamento.
Não
aceito mais
nenhum relaxamento dos meus desejos
nenhum
redutor dos meus volumes.
(e mais adiante...)
Não
sou mulher de puxa
e estica
tenho
minhas crespices.
________________________
e... para “seu rei” ela adverte, lá no final:
FRUTO MOFADO
Saudade
de você, rei.
Da
tua quentura
Em
cima de mim
Suor
festivo que
Você
me rouba.
Você
me conserta.
_________________
Será o grito de
amor da poeta?
( Mas não procuremos historias... é POESIA!)
Trata-se
de uma poeta que deixa seu feminino aflorar, se desnudar...
E ela desnuda, sem
constrangimento , o seu amor!
Poésie à
clef?
____________________________
A poeta nos encaminha para o fim do livro em...
ENTÃO É ISSO
MIRAGEM
Nestes 56 anos morri muitas
vezes.
Nasci outras tantas
Empurrando a terra com muita
força.
(...)
O horizonte
continua a caminhar conosco.
O resto é vento no rosto.
_________________________
E Stella já advertiu,
no início:
(É um
GOSTO .... N Ã O G O S T O)
É TANTA COISA
Não gosto de comedoria...
Gosto de pas-de deux... de terceiro sinal... cheiro de coxia!
Gosto
de poesia...
_______________________
... e o Girassol ?
MARGARIDA DOIDA
O girassol é uma beleza.
Às vezes me dá um pouco de medo
dele.
Do seu gigantismo inesperado
da sua alegria
esbugalhada
margarida doida que
cresceu sem pedir
licença.
Igual
a Alice não cabendo mais no
salão das
portas
depois do beba-me.
Igual
a uma viagem lisérgica.
Amarelona.
(...)
Hipertrofia
alegoria
da alegria
flor
expressionista
conspiração
de faces redondas
(...)
Tipo
complô.
______________________
E...
NO ESCURO
VACA
MALHADA
(...)
Risco.
Arrisco
trombar em qualquer canto
derrubar alguma coisa muito delicada
quebrá-la até.
Cair, cortar, sangrar, arder
pode.
Posso
sair daqui
vaca malhada
de hematomas.
Tenho sede de expedição.
(...)
Até que tudo mude de
lugar
mais uma vez.
E eu comece tudo de
novo
mais uma vez.
E outra. E outra.
_______________________
Por favor...
U
M C O P O D’ À G U A, P O R F A V O R
( AS
FRASES A SEGUIR
SÃO IMPRESSÕES DA RESENHISTA...)
A hora
do desfecho,
A
secura, a faca
E o estilhaço
de vidros...
está recomeçando!
(Afinal, o que está recomeçando?)
Encerramos com o genial :
P L Á G I O
(IN THE
NAME OF LOVE)
O que será que me dá
Que
brota à flor da pele
E
que me sobe às faces
E me faz corar
(...)
It’s only love and that is all
Why should I fell the way I
do
It’s only love and that is
all
But it’s so
hard loving you
Eu
te amo calado
Como
quem ouve uma sinfonia
Porque
meu coração dispara
Quando
tem o seu cheiro
Dentro
de um livro
Dentro
da noite veloz
Me
conta agora como hei de partir
Se
ao te conhecer dei para sonhar
Fiz
tantos desvarios
Rompi
com o mundo
queimei
meus navios
me
diz pra onde é que inda posso ir
meu
sangue errou de veia
e se perdeu
ne me quitte pas
And, in the end
The love you take is
equal to the love you make
I
love U2
Minha
playlist é um samba de uma nota só.
Diz
a poeta, e explica que estas são...
(estrofes amorosamente roubadas de Chico
Buarque, Rita Lee, Lennon & McCartney, Adriana Calcanhoto, Lulu Santos,
Jacques Brel, U2)
É tão difícil
ser poeta! Stella é...
(Mais algumas
palavras sobre VACA MALHADA):
Trata-se
de uma criação que poderíamos “novoapelidar” de poésie à clef ? ... sendo o claro
propósito da autora se colocar como personagem?
Refleti um pouco mais e cheguei à conclusão que a poesia de Stella não é à clef... é escancarada
mesmo! Como a literatura de Clarice Lispector, como a poesia da polonesa Wislawa Szymborska!
Podemos, sim, dizer - com certa irreverência -, que Stella Stephany, em seu livro se refere, em quase
todos os poemas, a uma experiência de vida... que é a sua!
Podemos dizer a seu respeito o que Clarice Lispector dizia, ao se referir a sua própria experiência de
vida: “escrevo-te porque não me entendo. É um tal mistério essa floresta onde sobrevivo para ser.”
A
arte de Stella se concretiza em...
UMAS
PESSOAS L E G A I S
(primeiro final do livro, que se compõe de três finais:
UMAS
PESSOAS LEGAIS
ENTÃO
É ISSO
E...
DEPOIS
DO FIM
Mas antes vem...
O
RABO
DE FORA
com
(IN)VASÃO
Quero
frequentar
a tua casa
comer
da tua comida
vestir
a tua camisa
assistir
à tua Netflix
deitada
na tua cama.
Quero
te
abusar
me lambuzar.
Quero
o fígado acebolado
da dona
do seu quadrado.
Em
UMAS PESSOAS
LEGAIS
Stella
fala em seu pai,
sua mãe, sua avó:
Frederick Habib Stephany, o pai músico.
Aida
– a mãe (porque o avô de Stella gostava
de ópera). Aida, ela também cantora
de ópera no Teatro San Carlo, em Nápoles
...
e sua avó ...
Parkuhi
Hovnanian, iraniana e armênia –
amante de gatos... como Stella! De cabelinho na venta – como Stella!
Em seu
primeiro livro Stella sai à procura de si mesma.
Virão
outros?
É
tudo tão definitivo em Stella.
Ela
já se encontrou.
Sofre
com a poesia?
Não.
Alvíssaras!
Permaneça
conosco, Stella!
ATÉ MAIS VER!
Stella Stephany doce....
terça-feira, 22 de dezembro de 2020
O ANJO DO APOCALIPSE
IDA VICENZIA
(da Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT)
(Especial)
O ANJO DO APOCALIPSE
O Professor Clovis Levi, a quem podemos chamar de o
Dramaturgo Clovis Levi, acaba de nos apresentar uma obra prima sobre o início
dos tempos, sobre os caminhos da Bíblia, desde o Antigo Testamento até os
nossos dias! O texto chama-se “O Anjo do Apocalipse” e mostra como as
religiões, que vieram para “religar” os humanos, podem se constituir em um
engenho de destruição! Conheçam “O Anjo do Apocalipse” e reconheçam a força da
palavra como o nascedouro de todas as desgraças! Para o autor – estremeçam! –
tudo começou no Oriente Médio, e tudo vai acabar no Oriente Médio! Mas tudo não
é tão simples assim. Este Anjo vai nos dar a conhecer a força do “Deus dos homens”.
E Deus existe, afinal?
Vamos retroceder aos
templos bíblicos (e saímos deles?), e tentar entender tudo o que acontece no
Teatro Ipanema quando alguém, com visão, resolve contar a verdadeira saga
do Oriente Médio, ONDE TUDO COMEÇOU, E ONDE TUDO VAI ACABAR!
E vamos falar das três
religiões que continuam a comandar o mundo: vamos falar como aconteceu o
Judaísmo, o Cristianismo e a Revolução Muçulmana. Que lugar complicado, esse
tal de Oriente Médio! Como foi que tudo aconteceu mesmo?
“O Anjo do Apocalipse”,
texto de Clovis Lei, é um estudo aprofundado (e poético) que tem por finalidade
nos relatar os caminhos da religião também nos tempos atuais e ocidentais (sim,
porque não podemos negar que o Ocidente está metido até o pescoço neste
embrulho cósmico!), mas, o que para o Ocidente talvez fosse um estudo sobre as
religiões, transformou-se, para Levi, em Teatro, Dramaturgia, Drama! Diz
o autor que o texto surgiu em 2008, e sua intensão era escrever um livro, mas
tal não aconteceu, e, o que vemos agora é um texto incisivo, irônico, que se
debruça sobre a saga humana, onde a religião é o fator determinante. O que pode
acontecer agora é você ir até o Teatro Ipanema (sempre ele, com historias
pontuais, como nos tempos de Rubens Correa!), e pensar um pouco sobre o
desvario dos homens neste Planeta Terra, e como tudo isso acabará.
Tentemos entender agora um
pouco do que aconteceu no lendário Teatro Ipanema, nesta estreia de 2019!
O texto se desloca, e
atinge os últimos acontecimentos, os do Século XXI. EUA, RUSSIA, e os povos do
Oriente Médio continuam, agora, tão envolvidos como o foram os povos antigos,
em milênios passados! O estudo começa com o início dos tempos religiosos (sobre
a saga dos Orientais, bem entendido) e mostra-nos como o DEUS, exuberante e
bíblico, comanda seus protegidos DESDE SEMPRE: ou seja, desde tempos imemoriais
até os nossos dias! Aprendam como se conta essa historia, com Clovis Levi no
texto ... e Marcus Alvisi na direção!
Tempos imemoriais. Tempos
do Anjo Guerreiro, o Mensageiro, com sua Espada de Fogo. Ele é o Querubim, o
que comanda todas as milícias (interpretado com “carisma e humor” por Marcello
Escorel). Como diz seu criador, na peça, Clovis Levi, o ator que vai
desenvolver este personagem tem que ser carismático, e o papel foi entregue a
Marcello Escorel. O Anjo Guerreiro se apresenta: “...sou o Querubim mais
prestigiado das milícias celestiais, cargo que ocupo há três milhões e meio de
anos...”
Ficamos imaginando, no
decorrer da narração de toda essa Historia Celestial, como era poderosa a
imaginação dos homens antigos... e como ela permanece poderosa, cada vez mais
poderosa! Senão vejamos: O Anjo avisa Abraão, a mando de Deus (e uma voz
poderosa se faz ouvir, a voz de Deus, comandando Abrão): “Sai-te da tua terra
para a terra que te mostrarei. E far-te-ei uma grande Nação”. (O Querubim
observa, com júbilo, as “ênclises” e “mesóclises” com que Deus fala, e
acrescenta para o público): “Essa Terra Prometida vocês não tem noção da
ma-ra-vi-lha que vai ser”. E Deus continua, com seu vozeirão: “Esta terra,
Canaã, onde jorrará leite e mel, mais tarde chamar-se-á Palestina”.... E aí
começa o rolo todo que vocês conhecem, que culmina com 1948 e a criação do
Estado de Israel, e por aí vai! Só vendo, para crer! NÃO PERCAM!
Além da prestigiada
interpretação do Anjo, de Marcello Escorel, o “Anjo Guerreiro”, temos mais dois
atores, que interpretam a mulher palestina Zahra e o judeu Eliakim, em diversos
momentos da historia humana daquela região (que reflete a nossa Historia, é
claro!), e vai tocar na nossa insensatez eterna! Bravos Zahra (Juliane Araújo)
e Eliakim (Daniel Dalcin)! Um elenco tão verdadeiro e competente consegue
concretizar o que é lido no (agora) texto teatral de Clovis Levi. Alguém poderia
imaginar que este professor tranquilo e acolhedor carregasse dentro de si o
Aristóphanes dos tempos modernos?! E que seus personagens, que tudo possuem,
matassem e morressem, como diz Zahra, com o ódio que nem ela entende?
“Essa é a minha terra, diz Zahra, e é por ela que eu mato, é por ela que
morro.”
Para resumir a situação,
temos um dramaturgo entre nós! Ele possui a bela e terrível compreensão do que
está acontecendo, e do que sempre aconteceu, neste mundo que nos cerca. E, no
Teatro Ipanema, graças à conjunção de vários fatores, entre eles o acerto do
convite a este diretor maravilhoso que é Marcus Alvisi (imaginamos que, sem
ele, talvez essa historia não seria contada com tanta precisão), temos
profissionais de primeira qualidade transformando o que “pensávamos ser
impossível levar à cena”, em um espetáculo simples e fluente, como é a
narrativa inacreditável dos primeiros tempos da humanidade. O que vemos no
palco se transforma, a todo momento, nas mãos dos magos que são Clovis Levi,
Marcus Alvisi, João Dias (e nos perguntávamos como seria colocar a Palestina no
Palco!), e Aurélio de Simoni (essa luz que Deus lhe deu, e que ele
considera “bobagem”!)
Temos ainda a trilha
sonora criada por Alvisi e Joel Tavares, assistente de direção. Temos as asas
do anjo da atriz e aderecista Maria Adelia e vemos, no final, um sóbrio
Querubim Marcello Escorel. Ficamos nos interrogando o porquê de tanta
sobriedade, e o Anjo do Apocalipse rememora: “Quando escrevi o Apocalipse,
milênios atrás, o que eu via era o número sete. No Oriente Médio sete países
acabaram de entrar em guerra. O que se vê, agora, em toda a Terra, é a Cólera
de Deus, muito choro e um interminável ranger de dentes”.
Porém, o Anjo Apocalíptico
tem esperança, e conclui:
“Em algum tempo ainda
muito distante, descerá dos céus uma Cidade Nova – uma santificada Jerusalém.
Mas, até lá, a voz de harpistas, a voz de violinos, a voz de tocadores de
flautas e de clarins, jamais, jamais em ti se ouvirá.” (...)
Neste texto de Clovis Levi
o que ocorre é a constatação da loucura humana, e também a facilidade de
fabulação que o ser humano possui. E o autor conclui que, nesta Historia da
Santidade, o Vaticano também entra na dança..., e nos leva a pensar, novamente,
naqueles tempos de Luxo, Riqueza, Corrupção, INQUISIÇÃO! Tudo igual, em termos
de destruição! Eis uma peça que nos leva ao raciocínio e à compreensão do
desatino que está sendo a nossa passagem por este nosso tão amável Planeta
Terra!
NÃO
PERCAM CLOVIS LEVI. Ele possui várias peças escritas e encenadas,
mas o verdadeiro dramaturgo está aqui, com todas as letras, assinando a
este nosso “O Anjo do Apocalipse”!
quarta-feira, 9 de dezembro de 2020
IDA VICENZIA
(da Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT)
(Especial)
O ANJO DO
APOCALIPSE
O
Professor Clovis Levi, a quem podemos chamar de o Dramaturgo Clovis Levi, acaba
de nos apresentar uma obra prima sobre o início dos tempos, sobre os caminhos
da Bíblia, desde o Antigo Testamento até os nossos dias! O texto chama-se “O
Anjo do Apocalipse” e mostra como as religiões, que vieram para “religar” os
humanos, podem se constituir em um engenho de destruição! Conheçam “O Anjo do
Apocalipse” e reconheçam a força da palavra como o nascedouro de todas as
desgraças! Para o autor – estremeçam! – tudo começou no Oriente Médio, e tudo
vai acabar no Oriente Médio! Mas tudo não é tão simples assim. Este Anjo vai
nos dar a conhecer a força do “Deus dos homens”.
E Deus existe, afinal?
Vamos retroceder aos templos bíblicos (e saímos deles?), e tentar entender tudo
o que acontece no Teatro Ipanema quando alguém, com visão, resolve contar
a verdadeira saga do Oriente Médio, ONDE TUDO COMEÇOU, E ONDE TUDO VAI ACABAR!
E vamos falar das três religiões que continuam a comandar o mundo: vamos falar
como aconteceu o Judaísmo, o Cristianismo e a Revolução Muçulmana. Que lugar
complicado, esse tal de Oriente Médio! Como foi que tudo aconteceu mesmo?
“O Anjo do Apocalipse”, texto de Clovis Lei, é um estudo aprofundado (e
poético) que tem por finalidade nos relatar os caminhos da religião também nos
tempos atuais e ocidentais (sim, porque não podemos negar que o Ocidente está
metido até o pescoço neste embrulho cósmico!), mas, o que para o Ocidente
talvez fosse um estudo sobre as religiões, transformou-se, para Levi, em
Teatro, Dramaturgia, Drama! Diz o autor que o texto surgiu em 2008, e sua
intensão era escrever um livro, mas tal não aconteceu, e, o que vemos agora é
um texto incisivo, irônico, que se debruça sobre a saga humana, onde a religião
é o fator determinante. O que pode acontecer agora é você ir até o Teatro
Ipanema (sempre ele, com historias pontuais, como nos tempos de Rubens Correa!),
e pensar um pouco sobre o desvario dos homens neste Planeta Terra, e como
tudo isso acabará.
Tentemos entender agora um pouco do que aconteceu no lendário Teatro Ipanema,
nesta estreia de 2019!
O texto se desloca, e atinge os últimos acontecimentos, os do Século XXI. EUA,
RUSSIA, e os povos do Oriente Médio continuam, agora, tão envolvidos como o
foram os povos antigos, em milênios passados! O estudo começa com o início dos
tempos religiosos (sobre a saga dos Orientais, bem entendido) e mostra-nos como
o DEUS, exuberante e bíblico, comanda seus protegidos DESDE SEMPRE: ou seja,
desde tempos imemoriais até os nossos dias! Aprendam como se conta essa
historia, com Clovis Levi no texto ... e Marcus Alvisi na direção!
Tempos imemoriais. Tempos do Anjo Guerreiro, o Mensageiro, com sua
Espada de Fogo. Ele é o Querubim, o que comanda todas as milícias (interpretado
com “carisma e humor” por Marcello Escorel). Como diz seu criador, na peça,
Clovis Levi, o ator que vai desenvolver este personagem tem que ser
carismático, e o papel foi entregue a Marcello Escorel. O Anjo Guerreiro se
apresenta: “...sou o Querubim mais prestigiado das milícias celestiais,
cargo que ocupo há três milhões e meio de anos...”
Ficamos imaginando, no decorrer da narração de toda essa Historia Celestial,
como era poderosa a imaginação dos homens antigos... e como ela permanece
poderosa, cada vez mais poderosa! Senão vejamos: O Anjo avisa Abraão, a mando
de Deus (e uma voz poderosa se faz ouvir, a voz de Deus, comandando Abrão):
“Sai-te da tua terra para a terra que te mostrarei. E far-te-ei uma grande
Nação”. (O Querubim observa, com júbilo, as “ênclises” e “mesóclises” com que
Deus fala, e acrescenta para o público): “Essa Terra Prometida vocês não tem
noção da ma-ra-vi-lha que vai ser”. E Deus continua, com seu vozeirão: “Esta
terra, Canaã, onde jorrará leite e mel, mais tarde chamar-se-á Palestina”.... E
aí começa o rolo todo que vocês conhecem, que culmina com 1948 e a criação do
Estado de Israel, e por aí vai! Só vendo, para crer! NÃO PERCAM!
Além da prestigiada interpretação do Anjo, de Marcello Escorel, o “Anjo
Guerreiro”, temos mais dois atores, que interpretam a mulher palestina Zahra e
o judeu Eliakim, em diversos momentos da historia humana daquela região (que reflete
a nossa Historia, é claro!), e vai tocar na nossa insensatez eterna! Bravos
Zahra (Juliane Araújo) e Eliakim (Daniel Dalcin)! Um elenco tão verdadeiro e
competente consegue concretizar o que é lido no (agora) texto teatral de Clovis
Levi. Alguém poderia imaginar que este professor tranquilo e acolhedor
carregasse dentro de si o Aristóphanes dos tempos modernos?! E que seus
personagens, que tudo possuem, matassem e morressem, como diz Zahra, com o ódio
que nem ela entende? “Essa é a minha terra, diz Zahra, e é por ela que eu
mato, é por ela que morro.”
Para resumir a situação, temos um dramaturgo entre nós! Ele possui a bela e
terrível compreensão do que está acontecendo, e do que sempre aconteceu, neste
mundo que nos cerca. E, no Teatro Ipanema, graças à conjunção de vários
fatores, entre eles o acerto do convite a este diretor maravilhoso que é Marcus
Alvisi (imaginamos que, sem ele, talvez essa historia não seria contada com
tanta precisão), temos profissionais de primeira qualidade transformando o que
“pensávamos ser impossível levar à cena”, em um espetáculo simples e fluente,
como é a narrativa inacreditável dos primeiros tempos da humanidade. O que
vemos no palco se transforma, a todo momento, nas mãos dos magos que são Clovis
Levi, Marcus Alvisi, João Dias (e nos perguntávamos como seria colocar a
Palestina no Palco!), e Aurélio de Simoni (essa luz que Deus lhe deu, e
que ele considera “bobagem”!)
Temos ainda a trilha sonora criada por Alvisi e Joel Tavares, assistente de
direção. Temos as asas do anjo da atriz e aderecista Maria Adelia e vemos, no
final, um sóbrio Querubim Marcello Escorel. Ficamos nos interrogando o porquê
de tanta sobriedade, e o Anjo do Apocalipse rememora: “Quando escrevi o
Apocalipse, milênios atrás, o que eu via era o número sete. No Oriente Médio
sete países acabaram de entrar em guerra. O que se vê, agora, em toda a Terra,
é a Cólera de Deus, muito choro e um interminável ranger de dentes”.
Porém, o
Anjo Apocalíptico tem esperança, e conclui:
“Em algum tempo ainda muito distante, descerá dos céus uma Cidade Nova – uma
santificada Jerusalém. Mas, até lá, a voz de harpistas, a voz de violinos, a
voz de tocadores de flautas e de clarins, jamais, jamais em ti se ouvirá.”
(...)
Neste texto de Clovis Levi o que ocorre é a constatação da loucura humana, e
também a facilidade de fabulação que o ser humano possui. E o autor conclui
que, nesta Historia da Santidade, o Vaticano também entra na dança..., e nos
leva a pensar, novamente, naqueles tempos de Luxo, Riqueza, Corrupção,
INQUISIÇÃO! Tudo igual, em termos de destruição!
Eis uma peça que nos leva ao raciocínio e à compreensão do desatino que está
sendo a nossa passagem por este nosso tão amável Planeta Terra! NÃO
PERCAM CLOVIS LEVI. Ele possui várias peças escritas e encenadas,
mas o verdadeiro dramaturgo está aqui, com todas as letras, assinando a
este nosso “O Anjo do
Apocalipse”!
sexta-feira, 9 de outubro de 2020
IDA VICENZIA – CRITICA
DE TEATRO
(da Associação
Internacional de Críticos de Teatro – AICT)
MATÉRIA ESPECIAL:
“LUGARES QUE O DIA NÃO ME DEIXA VER”
João Fernandes, artista criador da Cia. de Idéias.Casarão de Idéias
João Fernandes e o seu Casarão de Idéias:
... Eis que João Fernandes, artista cearense radicado em Manaus, acaba de nos proporcionar, em 2020, um belo "livro-revista" com fotos destacando aspectos de uma Manaus fantasma, desaparecida, nos idos do século XIX... O artista preenche a solidão dos casarões abandonados com a sua imaginação!
Trabalhando com Fernandes estão Jeyder e Wagner Eleutério, os técnicos de luz que dão a dimensão da beleza daqueles lugares...e também uma equipe de fotógrafos: Bruno Bastos, Ruth Jucá, Marcus Pessoa e Carlos Navarro, possuidores de grande sensibilidade.
João Fernandes é uma personalidade cultural da cidade. Já foi Coordenador Pedagógico do grupo de dança da Faculdade de Manaus (UEA), e também pertenceu a equipe de criação do Curso de Teatro desta Faculdade. Sua experiência cultural é cercada por invejável currículo (tem mais, muito mais), porém, a mais importante de suas qualidades – sem desmerecer as outras - é a sua alma de artista.
Graças a sensibilidade de Fernandes temos um trabalho, requintado, sobre os tempos idos da borracha. Quem folheia com cuidado o seu livro adquire uma necessidade interior de ver todas aquelas maravilhas - agora em colapso - novamente erguidas!
A ANTIGA ARQUITETURA DE MANAUS
O livro de João Fernandes - “Lugares que o dia não me deixa Ver” - editado com a cooperação da Prefeitura da Manaus, nos leva a imaginar a reconstrução daquilo que foi tão belo! Para os amazonenses a abandonada arquitetura é o “Centro Histórico de Manaus”, mas para quem a visita - como é o meu caso - é a História de Manaus que está retratada nestes caminhos que dominam a cidade. Temos a impressão, neste primeiro contato com sua arquitetura do século XIX, que realmente se trata de uma cidade do passado, ou que ficou desta cidade (abstraindo os tão conhecidos Teatro Amazonas, o Mercado Municipal e outras obras que a caracterizam), o destaque que o autor dá a seu livro é de outra natureza. Peço licença para informar que, para mim, a Manaus de hoje está cada vez mais parecida com Miami, suas estradas a desembocar em bairros repletos de edifícios modernos e shopping centers. Ai de quem não tiver carro! Só se salva a parte antiga de Miami.
Mas isto não nos interessa, o que nos empolga é a súbita visão de uma Manaus que já não existe mais. E é o que descobrimos no livro de Fernandes: a verdadeira Manaus anda perdida, já não prestamos atenção ao que nos rodeia, não valorizamos este estranho encontro que vislumbramos a partir do livro de Fernandes. Somente olhando a cidade com os "olhos noturnos" do autor percebemos o lugar que nos acolhe com tanta beleza, seu olhar nos abre o caminho do passado, que acabou por se tornar tão misterioso! Olhemos algumas fotos, vale a pena guardá-las com carinho, na memória e na biblioteca de nossas casas.
O Casarão também publica a revista Idéias Editadas (assim mesmo, com acento agudo na palavra Idéias), como costumava ser escrita no Brasil. A revista nasceu antes da entrada do Brasil no Novo Acordo da Língua Portuguesa entre Portugal e países da Língua Portuguesa. No Brasil o acordo só entrou em vigor em 2016, depois do lançamento da revista, realizado em 2011. E foi uma confusão! A própria Cecília Meireles, que faleceu em 1964, costumava dizer, em tom divertido, que estes acordos (e foram vários, enquanto ela viveu), sempre a levavam a estudar novamente o Português.
Na revista Idéias Editadas os artigos; entrevistas e a programação cultural da cidade estão nela publicadas. A revista sai de três em três meses; a próxima, se tudo der certo, sairá em dezembro de 2020.
É preciso não esquecer que o casarão é um verdadeiro movimento cultural cuja raiz é a Cia. de Idéias, um grupo de Teatro e Dança fundado em 2005, que participa de festivais e organiza cursos, palestras, leituras dramáticas, exposições de artes plásticas, sessões de cinema, e possui uma biblioteca especializada que trabalha também com empréstimo de livros... além de disponibilizar de um bar com cafezinho e quitutes de primeira, que atraem artistas e visitantes. A revista é distribuída gratuitamente, para o público amante do teatro e para os artistas de Manaus. Idéias Editadas possui temas os mais variados, escritos por profissionais do ramo. No grupo do Casarão constatamos a presença, na revista, de João Fernandes, Vitor Lima, Dyego Monnzaho, Wellington Junior, e, eventualmente, o crítico Jorge Bandeira - entre outros.
Agora convido aos meus leitores para darem uma olhada nas fotos do livro-revista de João Fernandes, "Lugares que o dia não me deixa Ver", e ter uma dimensão do poder de comunicação deste artista.
Vamos lá?







