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terça-feira, 5 de abril de 2022

O A L I E N I S T A

       

 C R I T I C A  D E  T E A T R O


I D A   V I C E N Z I A

(da Associação  Internacional de  Críticos de Teatro – AICT)

(Especial)

O  A L I E N I S T A

 

Simão Bacamarte e o cérebro de um paciente.

O diretor-autor  Gustavo Paso  escolhe muito bem as suas inspirações. Primeiro virou a nossa cabeça com Harold Pinter e sua Festa de Aniversário!... e agora nos vem com esta surreal  montagem de Machado de Assis.

A Arte se alimenta de Metáforas... E com genialidade. ... como a que os autores Gustavo Paso e seu “companheiro de meninice”, Celso Taddei utilizam, para construir essa “figura de linguagem” que é  adaptação do magnífico O Alienista, de Machado de Assis!   

Vamos  a  O Alienista!

Com uma lista de 14 atores (no dia em que assistimos eram 15, pois Gustavo Paso resolveu participar da brincadeira, entrando em cena!), e um cenário espetacular, musica idem, iluminação “dançante”, ele nos carrega, através de 1 hora e 30 minutos (mais ou menos), a um brilhante trabalho de analise critica, ironia, selvageria, indignação, falsidade e loucura, para nos advertir que o mundo não muda, por mais que Bertold Brecht e tantos artistas lúcidos tentem mudá-lo. Isso acontece desde sempre, porém agora, confrontando o século XIX com o século XXI, pensamos que ela, a mudança, está sempre e cada vez mais distante, para nossa tristeza!

Mudará, algum dia?

Gustavo Paso credita na Patafísica (uma crítica à lógica racional, segundo o diretor do espetáculo) para nos mostrar o mundo de Itaguai (uma pequena vila onde transcorre a historia), e o estreito caminho entre o mundo do conto de Machado, e a nossa vivência, nos faz crer que estamos, mesmo, dentro de uma lógica irracional. Mas nem tudo está perdido: ocorre, na plateia, o sonho de todo artista! Ela está lotada! De professores, alunos... e amantes de teatro!

Pelo polêmico tema em questão vemos, com alivio, que não atraímos, e esperamos não atrair: os raivosos! (E quando dizemos “raivosos”, esperamos que nos entendam).

Quanto ao elenco, temos só surpresas. (tirando Samir Murad, meu conhecido de outros teatros, os outros são novidade, para mim). Mas podemos reconhecer que Simão Bacamarte apresenta o ator Romulo Estrela, muito empenhado em sua atuação, embora sua dicção ainda tenha momentos de irregularidade. Sua companheira, D. Evarista, interpretada por Luciana Fávero (minha conhecida de outras peças) continua, e cada vez mais, com seu poder de “transformação de um corpo em outro corpo” como o quer a Cia Epigenia em ação.

Aliás, a Direção de Arte, Cenário e Visagismo são de Gustavo Paso. Ele queria algo Expressionista, que lembrasse O Gabinete do Dr. Galigari... e o conseguiu! A iluminação “dançante” é do mestre Paulo Cesar Medeiros.

Em tempo: a Cia Epigenia foi criada por Luciana Fávero e Gustavo Paso, e completa hoje, ano 2022, 22 anos de sua criação! Orgulho nosso, da gente de teatro, ter uma Companhia que consegue estabilidade. Torcemos por ela!     

No elenco Glaucio Gomes, Tatiana Sobral, Renato Peres, Laura Canabrava são nomes que nos soam conhecidos, mas é tão difícil localizá-los na historia do nosso teatro! Longa e meritosa vida a eles! (É estranho para uma crítica não poder se alongar sobre todos os atores... mas o elenco me ultrapassa, confesso!), a maneira com que se apresentam em palco, sua energia e talento já nos preenche a alma! Claro, há também Tecca Maria, Anna Hannickel, Dodi Cardoso, Renato Ribonee, Erik Villa, Eduardo Zayit ... e Vitor Thiré (da família teatral tão nossa conhecida?). Ele faz o pastor, enquanto Dodi Cardoso é o representante da Igreja Católica.

Neste espetáculo todas as classes têm seu momento de cena, principalmente a dos políticos, com suas votações segundo os seus interesses... A semelhança com os nossos dias trouxe o pensamento dos anos 70, e  a preocupação: “Mas como deixaram subir ao palco uma crítica tão clara dos governos e da sociedade atual?”

Eis aí mais um exemplo da independência desta Companhia.    

E todos os detalhes do espetáculo são acertados. Trata-se de uma linguagem moderna. Expressões acentuadas por máscaras pintadas, os figurinos (de Graziela Bastos), dão grande poder estético para a cena... as coreografias são de Edio Nunes (excelente bailarino e ator), e o cenário, surpreendente, é de Gustavo Paso... Há também vozes cantadas, e a música de André Poyart, nosso conhecido de Festa de Aniversario. Neste espetáculo, Festa... (texto de Harold Pinter), Poyart executava seu Beethoven escondido nas alturas da cena! Em O Alienista ele executa sua música nos bastidores da cena... Entendemos este mistério, e o perseguimos!

Durante o espetáculo ouvimos a voz de Machado envolvida com a de Gustavo Paso e Celso Taddei. Seus DOIS projetos de crítica ao estado eterno, de nossas decepções, é impressionante! E funciona como advertência para o que pode vir.  

Vida Longa a O Anarquista!

É BOM VER BOM TEATRO!      

Eles ficam no Teatro das Artes até domingo, dia 10 de abril, depois saem em excursão e participação em festivais.

Produção Executiva: Junior Godim

Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa     

 

 

     


                              

terça-feira, 22 de março de 2022

ELES NÃO USAM BLACK TIE

 



                      ELES   NÃO   USAM   BLACK  TIE

                                            Cena da peça, com Nino, Murilo e Ramayana.  


               Atendendo a pedidos de interessados em assistir a peça, mas desconhecem o 

              endereço do teatrinho do Nós do Morro, aí vai, conforme o prometido:

              Rua Doutor Olindo de Magalhães, 16 

             Vidigal

             É logo na entrada do Vidigal, depois da sequência de barezinhos (e sua

             iluminação feérica), dobrar logo à direita, na primeira rua, subindo o morro.

             O espetáculo começa às 20h, de sexta a domingo. Somente até final de março.

            BOM  ESPETÁCULO !!!!     

             

                     


 

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

 

Elenco de "Copacabana Palace O Musical". Na foto, Suely Franco, Claudio Lins, Vannessa  Gerbelli e dois dos ótimos bailarinos do elenco 
Encontro de antigos amores: Suely Franco (D. Mariazinha Guinle), Claudio Lins (Octavio Guinle e Vannessa Gerbelli (D. Mariazinha jovem)  


I D A  V I C E N Z I A

(da Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT)

(Especial)

Eis um espetáculo que inaugura uma nova fase do teatro carioca, cheia de entusiasmo e amor ao público, parecendo estar se despedindo da tristonha fase, paralisante, dos “achaques pandêmicos”.

Estamos nos referindo ao belo “Copacabana Palace” e o seu “O Musical”, direção de Sergio Módena e Gustavo Wabner (o idealizador do espetáculo).

Texto de Ana Velloso e Vera Novello.       

                                                    1923

 Copacabana Palace  recém  inaugurado. O Hotel foi construído sobre um areal, na praia de Copacabana.O Espetáculo abrange os anos de 1923 (início, com a inauguração do Hotel), até a morte de Octavio Guinle, em 1968, e a narrativa de sua atual condição: Belmont Copacabana Palace. 

 ESPETÁCULO  -  narrado com ênfase, nos momentos mais importantes da criação do Hotel, momentos estes que ultrapassam as fronteiras do Brasil, dando início à fama internacional do Copacabana Palace. O carioca Octavio Guinle, de ascendência gaúcha, filho do bilionário Eduardo Pallasim Guinle, foi o criador do hotel. 

  Octavio Guinle, homem de grande carisma, era um verdadeiro “lord”, um cavalheiro do início do Século XX. Octavio adotou, para dois de seus filhos, o “second name” Eduardo, em homenagem ao avô.  Mariazinha Guinle, sua esposa, foi a personagem que  inspirou esta historia.

Mariazinha é interpretada por Suely Franco e Vannessa  Gerbelli  (Mariazinha quando jovem).  

O ator Claudio Lins está impecável interpretando e transmitindo o charme,  o savoir faire do criador deste que é o mais belo e mítico hotel brasileiro. (Inesquecível a cena em que ele seduz Mariazinha Guinle, com toques à Frank Sinatra, de maneira discreta, digna de um homem da melhor sociedade). Aliás, os dois estão impecáveis na cena, sendo Vannessa Gerbelli uma afirmação, em sua interpretação de Mariazinha.  

Neste espetáculo não há destaques, mas sim grandes participações, que o eleva à categoria de um dos melhores musicais brasileiros, mais plenos e verdadeiros, mostrando um Brasil sob  a influência da civilização francesa, em uma época de grande glamour e de política acertada, com Getulio  Vargas.

Destaque para as projeções da época, revelando detalhada pesquisa da produção. As projeções ocupam o fundo da cena, complementando o cenário da peça. A escada, colocada em movimento central da ação, tanto pode iluminar um fundo musical, como servir de interior para o convívio dos moradores daquele palácio-hotel. A concepção da cenografia é de Natália Lana (cenógrafa assistente: Marieta Spada).    

Do “fundo musical” temos muito o que destacar: a belíssima interpretação de Ariane Souza para Sarah Vaughan; Julia Goman como Marlene Dietrich, e Suely Franco, inesquecível, interpretando com brilhantismo as músicas que apresenta.  Vannessa  Gerbelli nos fazendo chorar, ao final do Primeiro Ato, quando  interpreta  Por Causa de Você, de Tom Jobim e Dolores Duran.  

Com um elenco de 14 atores, o espetáculo é movimentado e cheio de vida. Vários episódios acontecidos, nos primeiros anos de gloria do Copacabana Palace, foram registrados. Destacamos alguns marcantes e que ficaram famosos, como a participação de Orson Welles, o cineasta que, em seu desentendimento com a namorada (através de uma chamada telefônica) ocasiona  o “tombo” na piscina, de uma máquina de escrever!  (e outros acontecimentos insólitos, como ruídos de quebra de louças e móveis), dignos do temperamento do homem que movimentou o cinema americano! Interpretado pelo ator Saulo Rodrigues.

Há muitas outras passagens inesquecíveis. Registramos os números de dança com músicas da época. Somente a interpretação musical do tango deixou a desejar. Talvez, na noite em que nos foi dado assistir, o microfone de um dos músicos tenha dado defeito.  O tango costuma ser mais visceral...!!!!   

Revelador de nossa  submissão às pressões da burguesia, o discurso pro tradição, família, e liberdade de D. Santinha, esposa de Gaspar Dutra, que foi, também na ocasião, presidente do Brasil, depois de Getulio Vargas. Vários presidentes atravessaram a historia do Copacabana Palace.

Impossível registrar a ficha técnica em sua extensão. Destacamos a direção de produção de Alice Cavalcante, Ana Velloso e Vera Novello.  Coreografia de Roberta Fernandes. Músicas com orquestra ao vivo, cujo destaque permanece discreto, encoberta por uma tela negra, na lateral das escadas. Destacamos ainda a interpretação dançada das músicas em moda na época, como o cancan,  algumas de carnaval,  e muitas outras, além das acima mencionadas. Um musical que merece ser visto e aplaudido.  

Assessoria de Imprensa: João Pontes e Stella Stephany.  

terça-feira, 16 de março de 2021

VACA MALHADA DE HEMATOMAS


V A C A   M A L H A D A  D E  H E M A T O M A S

POESIA

IDA  VICENZIA

(da Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT)

(Especial)


P O E S I A S   D E   S T E L L A   S T E P H A N Y

A poeta descendente de iranianos, nascida por acaso na Bahia (Salvador) -  foi ainda um bebê para  o  Rio – onde  viveu  até  se  tornar a  poeta  que  surpreende  em  seu  primeiro livro.

Seus pais?

Vindos do Oriente Médio... Aida  e  Frederick.

Ela, cantora de Ópera, virou dona de casa, no Brasil. Ele, violinista - o “Turquinho” da orquestra, no Brasil...

Diz Stella sobre o pai, Frederick Stephany: “Camaleão poliglota de sete línguas: português, iraniano, armênio, italiano, inglês espanhol...  Lugares por onde passaram, em alguns deles viveram, suas línguas, aprendeu-as”.

AIDA STEPHANY, a mãe de Stella,  era uma mulher cheia de segredos... Dez anos viveu com o pai de Stella, na Itália...  e depois veio  para o  Brasil. E aí começou a Historia de  Stella Stephany.

Seu livro,  VACA  MALHADA  DE  HEMATOMAS -  já começa a surpreender,  desde seu  título, cuja capa Carcarah desenhou, e batizou de “ Fim de Tarde na Cidade”.  Linda capa.

Vocês conhecem “Carcarah”, pois não? Trata-se de Henrique de Macedo  Figueiroa, ilustrador e produtor premiado.  Lembram  dele?

Pois bem, este começo já promete. Depois Mario Bortolotto fez a orelha do livro, onde o diretor de teatro e dramaturgo diz coisas assim:

“Ela se derrama despudorada esmiuçando o cotidiano de uma mulher escandalosamente contemporânea  que  prefere  deixar “o rabo de fora”.   

Mas será só isso?

Meu Deus, como existe uma poeta assim, em pleno Século XXI, andando ao nosso lado na rua... nos teatros... e tendo Clarice Lispector para lhe abrir as portas?!

 “Escrevo porque não me entendo” – diz Clarice,

... e Stella assina embaixo. E  nos brinda, já  de  saída, com  sua remota idade de 150 Anos:

“Já fui muito velha” – nos diz Stella em seu poema de abertura de VACA MALHADA

 

É  T AN T A  C O I S A

(no poema)

150 ANOS


Já fui muito velha.

Tive 150 anos.  Foi  quando  meu  pai  morreu. Enruguei   toda...

 

(... e assim Stella caminha  - apesar das dores...  -  até chegar  aos  17 anos.  Mas não é essa a sua idade cronológica!... é  a do  poema!


É  T AN T A  C O I S A

(no poema)

150 ANOS


Já fui muito velha.

Tive 150 anos.  Foi  quando  meu  pai  morreu. Enruguei   toda...

 

Mas tudo se aproxima, para  nós  seus   leitores,  quando Bianca Ramoneda se  pergunta:

“ P o r q u e   e s c r e v e r  s o b r e   a l g u é m  s e   esse  p r ó p r i o  a l g u é m  –  c o m   seu  talento  e  força –, é  plenamente   capaz  de dizer  sobre  si  o  que  quer  que  seja?”

E  Bianca  Ramoneda  (Editora de Conteúdo de Vaca Malhada), nos adverte que se trata de um livro para adultos.

________________________________

 

A POETA DIZ QUE ESTÁ EM

TRANSIÇÃO

(E  se  apresenta):

 

Estou em processo de transição Stellar.

 Parei com os alisantes de comportamento. 

Não aceito mais

nenhum  relaxamento dos meus desejos

nenhum  redutor  dos  meus  volumes.

 

(e mais adiante...)

 

Não  sou  mulher  de  puxa  e  estica

tenho  minhas  crespices.

________________________

 

e... para “seu rei” ela adverte, lá no final:

 

FRUTO  MOFADO

Saudade de você, rei.

Da tua quentura

Em cima de mim

Suor  festivo  que

Você  me  rouba.

 

Você me conserta.

_________________

Será  o  grito  de  amor  da  poeta?

( Mas não procuremos historias... é POESIA!)

Trata-se de uma poeta  que deixa  seu feminino  aflorar, se desnudar...

E ela desnuda,  sem  constrangimento ,  o seu amor!

Poésie  à  clef?

____________________________

 

A  poeta nos encaminha para o fim do livro em...


ENTÃO É ISSO

MIRAGEM

 

Nestes 56 anos morri muitas vezes.

Nasci outras tantas

Empurrando a terra com muita força.  

(...)

O horizonte

continua a caminhar conosco.

O resto é vento no rosto.

_________________________

  

E  Stella  já  advertiu,  no início: 

(É  um  GOSTO ....  N Ã O  G O S T O)

 

É TANTA COISA     

 

Não  gosto  de  comedoria...

Gosto  de  pas-de deux... de  terceiro  sinal... cheiro  de  coxia!

 Gosto  de  poesia...

_______________________

... e o Girassol ?  

 

MARGARIDA  DOIDA

 

O girassol é uma beleza.

Às vezes me dá  um  pouco  de  medo  dele.

Do  seu  gigantismo  inesperado

da  sua  alegria  esbugalhada

margarida  doida  que  cresceu  sem  pedir  licença.

Igual  a  Alice  não  cabendo  mais  no  salão  das

portas  depois  do  beba-me.

Igual  a  uma  viagem  lisérgica.

Amarelona.

(...)

Hipertrofia

alegoria  da  alegria

flor  expressionista

conspiração  de  faces  redondas

(...)

Tipo  complô.   

______________________

 

E...

NO  ESCURO

 

VACA  MALHADA

 

(...)

Risco.

Arrisco

trombar  em  qualquer  canto

derrubar  alguma  coisa  muito  delicada

quebrá-la   até.

Cair, cortar, sangrar, arder

pode.

 

Posso

sair  daqui

vaca  malhada

de  hematomas.


Tenho  sede  de  expedição.

 

(...)

Até  que  tudo  mude  de  lugar

mais  uma  vez.

E  eu  comece  tudo  de  novo

mais  uma  vez.

E   outra.   E  outra.

_______________________

 

Por favor...

 

U M   C O P O   D’ À G U A,   P O R    F A V O R

( AS  FRASES  A  SEGUIR  SÃO  IMPRESSÕES  DA  RESENHISTA...)

 

A hora   do  desfecho,

A  secura,  a  faca

E o  estilhaço  de  vidros...

está  recomeçando!

 

(Afinal, o que está recomeçando?)

 

  Encerramos  com  o  genial :

 

             P L Á G I O

(IN  THE  NAME  OF  LOVE)

 

O  que será que me dá

Que brota à flor da pele

E que me sobe às faces

E  me  faz  corar

(...)

It’s  only love and that is all

Why should I fell the way I do

It’s only love and that is all

But  it’s  so  hard  loving  you

 

Eu te amo calado

Como quem ouve uma sinfonia

Porque meu coração dispara

Quando tem o seu cheiro 

Dentro de um livro

Dentro da noite veloz

 

Me conta agora como hei de partir

Se ao te conhecer dei para sonhar

Fiz  tantos  desvarios

Rompi  com  o  mundo

queimei  meus  navios

me  diz  pra  onde  é  que  inda  posso  ir

meu  sangue  errou  de  veia  e  se  perdeu

ne  me  quitte  pas

 

 

And, in  the  end

The  love  you  take  is  equal  to  the  love  you  make

I  love  U2

 

Minha playlist é um samba de uma nota só.

 

Diz a poeta, e explica que estas são...

(estrofes amorosamente roubadas de Chico Buarque, Rita Lee, Lennon & McCartney, Adriana Calcanhoto, Lulu Santos, Jacques Brel, U2)

 

 

É  tão difícil ser poeta!  Stella é...

 

(Mais  algumas  palavras  sobre  VACA  MALHADA):

 

Trata-se de uma criação que poderíamos “novoapelidar” de poésie à clef ? ... sendo o claro propósito da autora se colocar como personagem? 

Refleti um pouco mais e cheguei à conclusão que a poesia de Stella não é à clef... é escancarada 

mesmo! Como a literatura de Clarice Lispector, como a poesia da polonesa Wislawa Szymborska! 

Podemos, sim, dizer - com certa irreverência -, que Stella Stephany, em seu livro se refere, em quase 

todos os poemas, a uma experiência de vida... que é a sua! 


Podemos dizer a seu respeito o que Clarice Lispector dizia, ao se referir a sua própria experiência de 

vida: “escrevo-te porque não me entendo. É um tal mistério essa floresta onde sobrevivo para ser.”

 

A arte de Stella se concretiza em...

 

 UMAS  PESSOAS  L E G A I S

(primeiro final do livro, que se compõe de três finais:

 

UMAS PESSOAS  LEGAIS

ENTÃO É ISSO

E...

DEPOIS DO FIM

 

Mas antes vem...

O  RABO  DE  FORA

         com

 

(IN)VASÃO

 

Quero

frequentar a tua casa

comer da tua comida

vestir a tua camisa

assistir à tua Netflix

deitada na tua cama.

 

Quero

te abusar  

me lambuzar.

 

Quero

o fígado acebolado

da dona

do seu quadrado.

 

Em  UMAS  PESSOAS  LEGAIS

Stella  fala  em  seu  pai,  sua mãe,  sua avó:

Frederick  Habib   Stephany, o pai músico.

Aida – a mãe  (porque o avô de Stella gostava de ópera). Aida, ela também cantora de ópera no Teatro San Carlo, em Nápoles

... e sua avó ...

Parkuhi Hovnanian, iraniana e armênia – amante de gatos... como Stella! De cabelinho na venta – como Stella!

Em seu primeiro livro Stella sai à procura de si mesma.

Virão outros?

É tudo tão definitivo em Stella.

Ela já se encontrou.

Sofre com a poesia?

Não.

Alvíssaras! 

Permaneça conosco, Stella!

ATÉ MAIS VER! 

 

companheira  fiel
                                    Stella  Stephany doce....  

 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

O ANJO DO APOCALIPSE

 

IDA VICENZIA

(da Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT)

(Especial)

O ANJO DO APOCALIPSE 

O Professor Clovis Levi, a quem podemos chamar de o Dramaturgo Clovis Levi, acaba de nos apresentar uma obra prima sobre o início dos tempos, sobre os caminhos da Bíblia, desde o Antigo Testamento até os nossos dias! O texto chama-se “O Anjo do Apocalipse” e mostra como as religiões, que vieram para “religar” os humanos, podem se constituir em um engenho de destruição! Conheçam “O Anjo do Apocalipse” e reconheçam a força da palavra como o nascedouro de todas as desgraças! Para o autor – estremeçam! – tudo começou no Oriente Médio, e tudo vai acabar no Oriente Médio! Mas tudo não é tão simples assim. Este Anjo vai nos dar a conhecer a força do “Deus dos homens”.  

     E Deus existe, afinal?

     Vamos retroceder aos templos bíblicos (e saímos deles?), e tentar entender tudo o que acontece no Teatro Ipanema  quando alguém, com visão, resolve contar a verdadeira saga do Oriente Médio, ONDE TUDO COMEÇOU, E ONDE TUDO VAI ACABAR!

     E vamos falar das três religiões que continuam a comandar o mundo: vamos falar como aconteceu o Judaísmo, o Cristianismo e a Revolução Muçulmana. Que lugar complicado, esse tal de Oriente Médio! Como foi que tudo aconteceu mesmo?

     “O Anjo do Apocalipse”, texto de Clovis Lei, é um estudo aprofundado (e poético) que tem por finalidade nos relatar os caminhos da religião também nos tempos atuais e ocidentais (sim, porque não podemos negar que o Ocidente está metido até o pescoço neste embrulho cósmico!), mas, o que para o Ocidente talvez fosse um estudo sobre as religiões, transformou-se, para Levi, em Teatro, Dramaturgia, Drama!  Diz o autor que o texto surgiu em 2008, e sua intensão era escrever um livro, mas tal não aconteceu, e, o que vemos agora é um texto incisivo, irônico, que se debruça sobre a saga humana, onde a religião é o fator determinante. O que pode acontecer agora é você ir até o Teatro Ipanema (sempre ele, com historias pontuais, como nos tempos de Rubens Correa!), e pensar um pouco sobre o  desvario dos homens neste Planeta Terra, e como tudo isso acabará.

     Tentemos entender agora um pouco do que aconteceu no lendário Teatro Ipanema, nesta estreia de 2019!

     O texto se desloca, e atinge os últimos acontecimentos, os do Século XXI. EUA, RUSSIA, e os povos do Oriente Médio continuam, agora, tão envolvidos como o foram os povos antigos, em milênios passados! O estudo começa com o início dos tempos religiosos (sobre a saga dos Orientais, bem entendido) e mostra-nos como o DEUS, exuberante e bíblico, comanda seus protegidos DESDE SEMPRE: ou seja, desde tempos imemoriais até os nossos dias! Aprendam como se conta essa historia, com Clovis Levi no texto ... e Marcus Alvisi na direção!

     Tempos imemoriais. Tempos do Anjo Guerreiro, o Mensageiro, com sua Espada de Fogo. Ele é o Querubim, o que comanda todas as milícias (interpretado com “carisma e humor” por Marcello Escorel). Como diz seu criador, na peça, Clovis Levi, o ator que vai desenvolver este personagem tem que ser carismático, e o papel foi entregue a Marcello Escorel. O Anjo Guerreiro se apresenta: “...sou o Querubim  mais prestigiado das milícias celestiais, cargo que ocupo há três milhões e meio de anos...”

     Ficamos imaginando, no decorrer da narração de toda essa Historia Celestial, como era poderosa a imaginação dos homens antigos... e como ela permanece poderosa, cada vez mais poderosa! Senão vejamos: O Anjo avisa Abraão, a mando de Deus (e uma voz poderosa se faz ouvir, a voz de Deus, comandando Abrão): “Sai-te da tua terra para a terra que te mostrarei. E far-te-ei uma grande Nação”. (O Querubim observa, com júbilo, as “ênclises” e “mesóclises” com que Deus fala, e acrescenta para o público): “Essa Terra Prometida vocês não tem noção da ma-ra-vi-lha que vai ser”. E Deus continua, com seu vozeirão: “Esta terra, Canaã, onde jorrará leite e mel, mais tarde chamar-se-á Palestina”.... E aí começa o rolo todo que vocês conhecem, que culmina com 1948 e a criação do Estado de Israel, e por aí vai! Só vendo, para crer! NÃO PERCAM!

     Além da prestigiada interpretação do Anjo, de Marcello Escorel, o “Anjo Guerreiro”, temos mais dois atores, que interpretam a mulher palestina Zahra e o judeu Eliakim, em diversos momentos da historia humana daquela região (que reflete a nossa Historia, é claro!), e vai tocar na nossa insensatez eterna! Bravos Zahra (Juliane Araújo) e Eliakim (Daniel Dalcin)! Um elenco tão verdadeiro e competente consegue concretizar o que é lido no (agora) texto teatral de Clovis Levi. Alguém poderia imaginar que este professor tranquilo e acolhedor carregasse dentro de si o Aristóphanes dos tempos modernos?! E que seus personagens, que tudo possuem, matassem e morressem, como diz Zahra, com o ódio que nem ela entende?  “Essa é a minha terra, diz Zahra, e é por ela que eu mato, é por ela que morro.”

     Para resumir a situação, temos um dramaturgo entre nós! Ele possui a bela e terrível compreensão do que está acontecendo, e do que sempre aconteceu, neste mundo que nos cerca. E, no Teatro Ipanema, graças à conjunção de vários fatores, entre eles o acerto do convite a este diretor maravilhoso que é Marcus Alvisi (imaginamos que, sem ele, talvez essa historia não seria contada com tanta precisão), temos profissionais de primeira qualidade transformando o que “pensávamos ser impossível levar à cena”, em um espetáculo simples e fluente, como é a narrativa inacreditável dos primeiros tempos da humanidade. O que vemos no palco se transforma, a todo momento, nas mãos dos magos que são Clovis Levi, Marcus Alvisi, João Dias (e nos perguntávamos como seria colocar a Palestina no Palco!), e Aurélio de Simoni  (essa luz que Deus lhe deu, e que ele considera “bobagem”!)

     Temos ainda a trilha sonora criada por Alvisi e Joel Tavares, assistente de direção. Temos as asas do anjo da atriz e aderecista Maria Adelia e vemos, no final, um sóbrio Querubim Marcello Escorel. Ficamos nos interrogando o porquê de tanta sobriedade, e o Anjo do Apocalipse rememora: “Quando escrevi o Apocalipse, milênios atrás, o que eu via era o número sete. No Oriente Médio sete países acabaram de entrar em guerra. O que se vê, agora, em toda a Terra, é a Cólera de Deus, muito choro e um interminável ranger de dentes”.

     Porém, o Anjo Apocalíptico tem esperança, e conclui:

     “Em algum tempo ainda muito distante, descerá dos céus uma Cidade Nova – uma santificada Jerusalém. Mas, até lá, a voz de harpistas, a voz de violinos, a voz de tocadores de flautas e de clarins, jamais, jamais em ti se ouvirá.” (...)

     Neste texto de Clovis Levi o que ocorre é a constatação da loucura humana, e também a facilidade de fabulação que o ser humano possui. E o autor conclui que, nesta Historia da Santidade, o Vaticano também entra na dança..., e nos leva a pensar, novamente, naqueles tempos de Luxo, Riqueza, Corrupção, INQUISIÇÃO! Tudo igual, em termos de destruição! Eis uma peça que nos leva ao raciocínio e à compreensão do desatino que está sendo a nossa passagem por este nosso tão amável Planeta Terra!

     NÃO  PERCAM  CLOVIS  LEVI. Ele possui várias peças escritas e encenadas, mas o verdadeiro dramaturgo está aqui, com todas as letras, assinando a este nosso “O Anjo do Apocalipse”!