IDA VICENZIA
sábado, 24 de setembro de 2022
quinta-feira, 1 de setembro de 2022
O A L I E N I S T A
I D A V I C E N Z I A
(da Associação Internacional de Críticos de Teatro - AICT )
(Especial)
Em cena Simão Bacamarte (Romulo Estrela) e D. Evarista (Luciana Fávero) em O Alienista,
O diretor-autor Gustavo Paso escolhe muito bem as suas inspirações. Primeiro virou a nossa cabeça com Harold Pinter e sua Festa de Aniversário!... e agora nos vem com esta surreal
montagem de Machado de Assis.
A Arte se alimenta de Metáforas... E com genialidade. ... como a que os autores Gustavo Paso e seu “companheiro de meninice”, Celso Taddei utilizam, para construir essa “figura de linguagem” que é a adaptação destes autores, do magnífico O Alienista, de Machado de Assis!
Vamos a O
Alienista!
Com uma lista de 14
atores (no dia em que assistimos eram 15, pois Gustavo Paso resolveu participar
da brincadeira, entrando em cena!), e um cenário espetacular, musica idem,
iluminação “dançante”, ele nos carrega, através de 1 hora e 30 minutos (mais ou
menos), a um brilhante trabalho de analise critica, ironia, selvageria,
indignação, falsidade e loucura, para nos advertir que o mundo não muda, por
mais que Bertold Brecht e tantos artistas lúcidos tentem mudá-lo. Isso acontece
desde sempre, porém agora, confrontando o século XIX com o século XXI, pensamos
que ela, a mudança, está sempre e cada vez mais distante, para nossa tristeza!
Mudará, algum dia?
Gustavo Paso credita na
Patafísica (uma crítica à lógica racional, segundo o diretor do espetáculo) para
nos mostrar o mundo de Itaguai (uma pequena vila onde transcorre a historia), e
o estreito caminho entre o mundo do conto de Machado, e a nossa vivência, nos
faz crer que estamos, mesmo, dentro de uma lógica irracional. Mas nem tudo está
perdido: ocorre, na plateia, o sonho de todo artista! Ela está lotada! De
professores, alunos... e amantes de teatro!
Pelo polêmico tema em
questão vemos, com alivio, que não atraímos, e esperamos não atrair: os
raivosos! (E quando dizemos “raivosos”, esperamos que nos entendam).
Quanto ao elenco, temos
só surpresas. (tirando Samir Murad, meu conhecido de outros teatros, os outros são
novidade, para mim). Mas podemos reconhecer que Simão Bacamarte apresenta o
ator Romulo Estrela, muito empenhado em sua atuação, embora sua dicção ainda
tenha momentos de irregularidade. Sua companheira, D. Evarista, interpretada
por Luciana Fávero (minha conhecida de outras peças) continua, e cada vez mais,
com seu poder de “transformação de um corpo em outro corpo” como o quer a Cia
Epigenia em ação.
Aliás, a Direção de Arte,
Cenário e Visagismo são de Gustavo Paso. Ele queria algo Expressionista, que
lembrasse O Gabinete do Dr. Galigari... e o conseguiu! A iluminação “dançante” é
do mestre Paulo Cesar Medeiros.
Em tempo: a Cia Epigenia
foi criada por Luciana Fávero e Gustavo Paso, e completa hoje, ano 2022, 22
anos de sua criação! Orgulho nosso, da gente de teatro, ter uma Companhia que
consegue estabilidade. Torcemos por ela!
No elenco Glaucio Gomes,
Tatiana Sobral, Renato Peres, Laura Canabrava são nomes que nos soam
conhecidos, mas é tão difícil localizá-los na historia do nosso teatro! Longa e
meritosa vida a eles! (É estranho para uma crítica não poder se alongar sobre
todos os atores... mas o elenco me ultrapassa, confesso!), a maneira com que se
apresentam em palco, sua energia e talento já nos preenche a alma! Claro, há
também Tecca Maria, Anna Hannickel, Dodi Cardoso, Renato Ribonee, Erik Villa,
Eduardo Zayit ... e Vitor Thiré (da família teatral tão nossa conhecida?). Ele
faz o pastor, enquanto Dodi Cardoso é o representante da Igreja Católica.
Neste espetáculo todas as
classes têm seu momento de cena, principalmente a dos políticos, com suas
votações segundo os seus interesses... A semelhança com os nossos dias trouxe o
pensamento dos anos 70, e a preocupação:
“Mas como deixaram subir ao palco uma crítica tão clara dos governos e da
sociedade atual?”
Eis aí mais um exemplo da
independência desta Companhia.
E todos os detalhes do
espetáculo são acertados. Trata-se de uma linguagem moderna. Expressões
acentuadas por máscaras pintadas, os figurinos (de Graziela Bastos), dão grande
poder estético para a cena... as coreografias são de Edio Nunes (excelente
bailarino e ator), e o cenário, surpreendente, é de Gustavo Paso... Há também vozes
cantadas, e a música de André Poyart, nosso conhecido de Festa de Aniversario.
Neste espetáculo, Festa... (texto de Harold Pinter), Poyart executava seu Beethoven
escondido nas alturas da cena! Em O Alienista ele executa sua música nos
bastidores da cena... Entendemos este mistério, e o perseguimos!
Durante o espetáculo
ouvimos a voz de Machado envolvida com a de Gustavo Paso e Celso Taddei. Seus
DOIS projetos de crítica ao estado eterno, de nossas decepções, é
impressionante! E funciona como advertência para o que pode vir.
Vida Longa a O Anarquista!
É BOM VER BOM TEATRO!
Eles ficam no Teatro das
Artes até domingo, dia 10 de abril, depois saem em excursão e participação em
festivais.
Produção Executiva: Junior Godim
Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa
domingo, 17 de julho de 2022
IDA VICENZIA
(da
Associação Internacional de Críticos de
Teatro – AICT)
(Especial)
C I R C U N C I S Ã O E M N
O V A Y O R K,
O autor dessa comedia
conhecia bem a alma humana. Ele consegue colocar vários sentimentos e
preconceitos em jogo, e luta contra o sentimento de culpa de Miriam, a
personagem que desencadeia a ação, interpretada por uma elogiável Narjara
Tureta. Devemos acrescentar, já no início, que este personagem explica, para a
família, seu sentimento de culpa, por ser como é... e tudo se resolve no final.
Mas estamos falando em
João Bethencourt, o autor de tantos sucessos, que novamente se apresenta entre
nós!
Não nos apressemos.
Estamos falando sobre uma sociedade judia, portanto, devemos levar em conta seu
rígido dogma de preconceitos religiosos, o que nos leva a um quid pro quo muito
bem resolvido!
Antes de tudo, saudemos o
retorno do autor húngaro/brasileiro João Bethencourt, grande comediógrafo, nascido
em Budapest. João veio para o Brasil em 1933, com a família, aos 10 anos de
idade. Sabemos o porquê de tantos cuidados. Ah! As guerras do continente
europeu!
Formado em Yale, João é
Mestre em Artes Cênicas por aquela Universidade, e, como não podemos deixar de
acrescentar, ele é (era?), um ser humano excepcional e nos deixa várias peças,
entre elas a que está se despedindo hoje, dia 17 de julho de 2022, do Teatro Fashion
Mall, Rio de Janeiro. Mas temos uma boa notícia! Circuncisão vai abrilhantar a
reinauguração do Teatro Princesa Isabel, aquele que fica na entrada de
Copacabana, e cujo proprietário (e amigo das Artes Cênicas) é Orlando Miranda!
Boas Vindas! Este Teatro, que iluminou por muitos anos a Avenida que lhe dá o
nome, muito em breve voltará a nos
iluminar!
A estreia do Princesa
Isabel será com a peça que estamos comentando. O elenco é brilhante: Temos Narjara Tureta como Miriam, a jovem judia que
resolve se desvencilhar das amarras de sua condição, e partir para uma nova
vida, independente! Rogério Freitas, brilhando sempre, dessa vez como o amigo
(e avô!) do filho de Miriam... e de Emily, a companheira que influencia a entrada
em um futuro menos ortodoxo praqueles que ainda usam o quipá (os pais... os
homens!), indicativo de que a religião está acima de tudo. Eis que surge o
Abraão II, (o pai de Emily) Rogério Freitas, para modificar a situação e fazer
parte do embruglio!
E como fica isso?!
... e, a partir dessas revelações, o público vê surgir as situações mais inesperadas, na maioria conduzidas pela mãe judia! (Jalusa Barcellos em interpretação destacada e brilhante, como a mãe que procura solucionar a questão, para ela tão alarmente, de ter uma filha que está apaixonada por uma mulher! Jalusa/Sara, está impagável em seus cuidados!).
Mas há que vencer a
resistência do patriarca Sergio Fonta, o Abraão I!... e aí surge o nó da
questão!
Abraão I, vaidoso com a filha que
vai ser mãe, e com a possibilidade de ser avô! Porém, sem o verdadeiro
conhecimento do que está ocorrendo em sua residência, ele é o involuntário
protagonista de tal confusão! (Sergio Fonta em memorável atuação). E aí começa a situação de comédia que acaba envolvendo
atores e público!
... Participamos, todos, do
poder de imaginação de nosso dramaturgo, muito bem dirigido por Guilherme
Delrio e orientado por nada menos do que Cristina Bethencourt, a filha de João!
O elenco, composto por
vários e bons artistas, entre eles Dalton Lisboa, uma surpresa, e Carlos
Loffler, voltando com sua carga cômica e o papel do rabino! Temos também a
noiva/esposa de Miriam, a doce e firme Emily, interpretada pro Araci Breckenfeld.
E mais não relatamos,
deixamos para a imaginação do público (ou de quem vier a sê-lo) para
complementar o enredo!
No final, celebrando o
amor resolvido, o elenco nos brinda com uma espécie da can can judeu! – com uma
música muito conhecida – Aleluia! - comemorando
amizade e amor... e as palmas do público!
Na ficha técnica, destaque
para os figurinos criativos de Augusto Pessoa, que também se encarrega do
cenário (uma simples sala de visitas, com muitos recursos cênicos...). Temos
também a coreografia de Julita Machado. E a Luz e feita por Guilherme Delrio e
Cristina Bethencourt.
Consultoria e Gestão Cultural:
Patrícia Castro Arte e Cultura.
NÃO PERCAM!
É
BOM VER BOM
TEATRO!
IDA VICENZIA
(da
Associação Internacional de Críticos de
Teatro – AICT)
(Especial)
C I R C U N C I S Ã O E M N
O V A Y O R K,
O autor dessa comedia conhecia bem a alma humana. Ele consegue colocar vários
sentimentos e preconceitos em jogo, e luta contra o sentimento de culpa de Miriam,
a personagem que desencadeia a ação, interpretada por uma elogiável Narjara
Tureta. Devemos acrescentar, já no início, que este personagem explica, para a
família, seu sentimento de culpa, por ser como é... e tudo se resolve no final.
Mas estamos falando em João Bethencourt, o autor de tantos sucessos, que novamente se apresenta entre nós!
Não nos apressemos.
Estamos falando sobre uma sociedade judia, portanto, devemos levar em conta seu
rígido dogma de preconceitos religiosos, o que nos leva a um quid pro quo muito
bem resolvido!
Antes de tudo, saudemos o
retorno do autor húngaro/brasileiro João Bethencourt, grande comediógrafo, nascido
em Budapest. João veio para o Brasil em 1933, com a família, aos 10 anos de
idade. Sabemos o porquê de tantos cuidados. Ah! As guerras do continente
europeu!
Formado em Yale, João é
Mestre em Artes Cênicas por aquela Universidade, e, como não podemos deixar de
acrescentar, ele é (era?), um ser humano excepcional e nos deixa várias peças,
entre elas a que está se despedindo hoje, dia 17 de julho de 2022, do Teatro Fashion
Mall, Rio de Janeiro. Mas temos uma boa notícia! Circuncisão vai abrilhantar a
reinauguração do Teatro Princesa Isabel, aquele que fica na entrada de
Copacabana, e cujo proprietário (e amigo das Artes Cênicas) é Orlando Miranda!
Boas Vindas! Este Teatro, que iluminou por muitos anos a Avenida que lhe dá o
nome, muito em breve voltará a nos
iluminar!
A estreia do Princesa
Isabel será com a peça que estamos comentando. O elenco é brilhante: Temos Narjara Tureta como Miriam, a jovem judia que
resolve se desvencilhar das amarras de sua condição, e partir para uma nova
vida, independente! Rogério Freitas, brilhando sempre, dessa vez como o amigo
(e avô!) do filho de Miriam... e de Emily, a companheira que influencia a entrada
em um futuro menos ortodoxo praqueles que ainda usam o quipá (os pais... os
homens!), indicativo de que a religião está acima de tudo. Eis que surge o
Abraão II, (o pai de Emily) Rogério Freitas, para modificar a situação e fazer
parte do embruglio!
E como fica isso?!
... e, a partir dessas revelações, o público vê surgir as situações mais
Elenco Circuncisão em Nova York – Foto de Rogério Fidalgo
O autor dessa comedia
conhecia bem a alma humana. Ele consegue colocar vários sentimentos e
preconceitos em jogo, e luta contra o sentimento de culpa de Miriam, a
personagem que desencadeia a ação, interpretada por uma elogiável Narjara
Tureta. Devemos acrescentar, já no início, que este personagem explica, para a
família, seu sentimento de culpa, por ser como é... e tudo se resolve no final.
Mas estamos falando em
João Bethencourt, o autor de tantos sucessos, que novamente se apresenta entre
nós!
Não nos apressemos.
Estamos falando sobre uma sociedade judia, portanto, devemos levar em conta seu
rígido dogma de preconceitos religiosos, o que nos leva a um quid pro quo muito
bem resolvido!
Antes de tudo, saudemos o
retorno do autor húngaro/brasileiro João Bethencourt, grande comediógrafo, nascido
em Budapest. João veio para o Brasil em 1933, com a família, aos 10 anos de
idade. Sabemos o porquê de tantos cuidados. Ah! As guerras do continente
europeu!
Formado em Yale, João é
Mestre em Artes Cênicas por aquela Universidade, e, como não podemos deixar de
acrescentar, ele é (era?), um ser humano excepcional e nos deixa várias peças,
entre elas a que está se despedindo hoje, dia 17 de julho de 2022, do Teatro Fashion
Mall, Rio de Janeiro. Mas temos uma boa notícia! Circuncisão vai abrilhantar a
reinauguração do Teatro Princesa Isabel, aquele que fica na entrada de
Copacabana, e cujo proprietário (e amigo das Artes Cênicas) é Orlando Miranda!
Boas Vindas! Este Teatro, que iluminou por muitos anos a Avenida que lhe dá o
nome, muito em breve voltará a nos
iluminar!
A estreia do Princesa
Isabel será com a peça que estamos comentando. O elenco é brilhante: Temos Narjara Tureta como Miriam, a jovem judia que
resolve se desvencilhar das amarras de sua condição, e partir para uma nova
vida, independente! Rogério Freitas, brilhando sempre, dessa vez como o amigo
(e avô!) do filho de Miriam... e de Emily, a companheira que influencia a entrada
em um futuro menos ortodoxo praqueles que ainda usam o quipá (os pais... os
homens!), indicativo de que a religião está acima de tudo. Eis que surge o
Abraão II, (o pai de Emily) Rogério Freitas, para modificar a situação e fazer
parte do embruglio!
E como fica isso?!
... e, a partir dessas revelações, o público vê surgir as situações mais
O autor dessa comedia
conhecia bem a alma humana. Ele consegue colocar vários sentimentos e
preconceitos em jogo, e luta contra o sentimento de culpa de Miriam, a
personagem que desencadeia a ação, interpretada por uma elogiável Narjara
Tureta. Devemos acrescentar, já no início, que este personagem explica, para a
família, seu sentimento de culpa, por ser como é... e tudo se resolve no final.
Mas estamos falando em
João Bethencourt, o autor de tantos sucessos, que novamente se apresenta entre
nós!
Não nos apressemos.
Estamos falando sobre uma sociedade judia, portanto, devemos levar em conta seu
rígido dogma de preconceitos religiosos, o que nos leva a um quid pro quo muito
bem resolvido!
Antes de tudo, saudemos o
retorno do autor húngaro/brasileiro João Bethencourt, grande comediógrafo, nascido
em Budapest. João veio para o Brasil em 1933, com a família, aos 10 anos de
idade. Sabemos o porquê de tantos cuidados. Ah! As guerras do continente
europeu!
Formado em Yale, João é
Mestre em Artes Cênicas por aquela Universidade, e, como não podemos deixar de
acrescentar, ele é (era?), um ser humano excepcional e nos deixa várias peças,
entre elas a que está se despedindo hoje, dia 17 de julho de 2022, do Teatro Fashion
Mall, Rio de Janeiro. Mas temos uma boa notícia! Circuncisão vai abrilhantar a
reinauguração do Teatro Princesa Isabel, aquele que fica na entrada de
Copacabana, e cujo proprietário (e amigo das Artes Cênicas) é Orlando Miranda!
Boas Vindas! Este Teatro, que iluminou por muitos anos a Avenida que lhe dá o
nome, muito em breve voltará a nos
iluminar!
A estreia do Princesa
Isabel será com a peça que estamos comentando. O elenco é brilhante: Temos Narjara Tureta como Miriam, a jovem judia que
resolve se desvencilhar das amarras de sua condição, e partir para uma nova
vida, independente! Rogério Freitas, brilhando sempre, dessa vez como o amigo
(e avô!) do filho de Miriam... e de Emily, a companheira que influencia a entrada
em um futuro menos ortodoxo praqueles que ainda usam o quipá (os pais... os
homens!), indicativo de que a religião está acima de tudo. Eis que surge o
Abraão II, (o pai de Emily) Rogério Freitas, para modificar a situação e fazer
parte do embruglio!
E como fica isso?!
... e, a partir dessas revelações, o público vê surgir as situações mais inesperadas, na maioria conduzidas pela mãe judia! (Jalusa Barcellos em interpretação destacada e brilhante, como a mãe que procura solucionar a questão, para ela tão alarmente, de ter uma filha que está apaixonada por uma mulher! Jalusa/Sara, está impagável em seus cuidados!).
Mas há que vencer a
resistência do patriarca Sergio Fonta, o Abraão I!... e aí surge o nó da
questão!
Sergio Fonta,
interpretando Abraão (e como tem Abraãos nesta peça!), nos dá a presença do que
seria o patriarca em seus dias: vaidoso com a filha que vai ser mãe, e com a
possibilidade de ser avô! Porém, sem o verdadeiro conhecimento do que está ocorrendo
em sua residência, ele é o involuntário protagonista de tal confusão! (Sergio
Fonta em memorável atuação). E aí começa
a situação de comédia que acaba envolvendo atores e público!
... Participamos, todos, do
poder de imaginação de nosso dramaturgo, muito bem dirigido por Guilherme
Delrio e orientado por nada menos do que Cristina Bethencourt, a filha de João!
O elenco, composto por
vários e bons artistas, entre eles Dalton Lisboa, uma surpresa, e Carlos
Loffler, voltando com sua carga cômica e o papel do rabino! Temos também a
noiva/esposa de Miriam, a doce e firme Emily, interpretada pro Araci Breckenfeld.
E mais não relatamos,
deixamos para a imaginação do público (ou de quem vier a sê-lo) para
complementar o enredo!
No final, celebrando o
amor resolvido, o elenco nos brinda com uma espécie da can can judeu! – com uma
música muito conhecida – Aleluia! - comemorando
amizade e amor... e as palmas do público!
Na ficha técnica, destaque
para os figurinos criativos de Augusto Pessoa, que também se encarrega do
cenário (uma simples sala de visitas, com muitos recursos cênicos...). Temos
também a coreografia de Julita Machado. E a Luz e feita por Guilherme Delrio e
Cristina Bethencourt.
Consultoria e Gestão Cultural:
Patrícia Castro Arte e Cultura.
NÃO PERCAM!
É
BOM VER BOM
TEATRO!
quinta-feira, 14 de julho de 2022
T U D O
IDA VICENZIA
(da
Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT)
(Especial)
TUDO
do argentino
Rafael Spregelburd
TUDO
do argentino Rafael Spregelburd
Desde de a nossa mais
tenra idade estamos acostumados com o originalidade e o savoir faire do teatro argentino ( no meu caso, graças ao meu irmão
Linneu – pai da atriz Julia Lemmertz – que costumava prestigiar os “porteños”
em vez de homenagear os Procópios Ferreiras da vida), e aí, no campo do além
Sul brasileiro, um Jorge Luis Borges, um
Manuel Puig e seus antecessores lhe
falavam mais do que a nossa incipiente artes cênicas!
Originalidade e savoir faire argentinos que se
apresentam agora, neste recente TUDO – que aborda, com ironia e conhecimento três aspectos de nossa cultura – da cultura da Humanidade – que não quer deixar de ser ouvida:
a Economia, representada pelo Estado; a Religião e a Arte (não nesta ordem).
Estes são os três aspectos de nossa civilização abordados ironicamente... aspectos
esses que um público menos engajado poderia não perceber. Assim, sob a batuta do ótimo profissional que
é Guilherme Weber (como ator e como diretor), os aspectos discutíveis de nossa
organização social vão sendo destacados – entrecortados por uma “luz pontuação
cênica” - (é como se eles estivessem
escrevendo, naquele momento, o que iremos assistir a seguir!),
desenrolam-se o Estado, com sua
parafernália de interesses pessoais; depois vem o Amor e seus desencontros,
para finalmente entrar na Religião e suas superstições.
Qual o episódio mais
interessante?
O ótimo elenco, onde se
destacam harmoniosamente Julia Lemmertz, Dani Barros (vocação para comediante),
Wladimir Brichta (uma surpresa), e
Claudio Mendes, capitaneados bravamente pelo ator Márcio Vito (que não nos
deixa esquecer o início de tudo, no sentido teatral – a Grécia Antiga e seu teatro – em um delicioso sobrevoo aos
acontecimentos de nosso presente).
Estamos preparados para o
que vem a seguir? Sim! O autor argentino Rafael Spregelburd (!) nos encaminha para uma viagem crítica à raiz
do Humano – e podem crer, meus amigos, onde houver mais de duas pessoas
reunidas, o perigo que tal procedimento surja é de mil para um... Ela surgirá
sempre (a crítica ao Humano, talvez não com
tanta perspicácia, como é o caso do presente espetáculo).
E, para encerrar o quadro
DOS TRÊS ACONTECIMENTOS NUCLEARES que predominam nesta encenação, vem a crítica
arrasadora às primeiras manifestações do que se tornou a grande religião dos
Ocidentais desde o Velho Testamento:
A Passagem do Mar
Vermelho!...
e o tom certo com que
Julia Lemmertz critica as suas incongruências... e o tom certo com que os atores
Wladimir Brichta e Dani Barros manifestam a superstição criada em torno desse tema,
Religião!...
Não dá para não se tomar
conhecimento do que está acontecendo no palco, e as plateias lotadas traduzem bem
tal entusiasmo dos amantes do teatro em contato com a sua raiz!
Uma citação à ficha
técnica: um achado essa maneira da luz sublinhar a passagem dos acontecimentos,
é como se a historia estivesse sendo escrita naquele momento! (Quem escreve
sabe disso, de como separamos em parágrafos e sinais as mudanças de temas).
Perfeito! Renato Machado cria a Luz.
A cenografia sem
mistérios de Dina Salem Levy, apresenta alguns objetos de cena concretos... e
outros nem tanto, como atesta o constante deslocamento do ator Wladimir Brichta,
por sinal o elo que vai nos colocar no verdadeiro fluxo da historia humana, em
sua citação do mundo pós Marx!... Cena
digna de destaque e surpresa – diante da grande potência de interpretação desse
ator que é uma revelação nos palcos cariocas!
Na direção o já citado
Guilherme Weber e sua assistente de direção Verônica Prates passam com
pertinência o recado de Spregelburd.
A preparação corporal –
cuja liberdade acende o interesse do público desde o primeiro momento que se
manifesta - é de Toni Rodrigues.
A trilha sonora deste espetáculo
cujas manifestações mostram um encadeamento rigoroso... A trilha sonora é de
Rodrigo Apolinário.
Ao todo são 26
profissionais (impossível citá-los todos) tomando conta de um palco com 5
atores: são eles Márcio Vito, Julia Lemmertz, Dani Barros, Wladimir Brichta e
Claudio Mendes, todos se encarregando com competência de sua parte no projeto.
Os figurinos, muito a
propósito, são de Kika Lopes.
Há, no programa da peça agradecimentos
muito especiais e simpáticos a todas as pessoas que fazem parte do mundo afetivos
dos atores.
Parabéns pela lembrança!
Não percam, e se informem
da caminhada desde espetáculo tão sui
generis e importante, em sua bem humorada
crítica à sociedade humana!
É BOM VER BOM TEATRO!
quarta-feira, 13 de julho de 2022
IDA VICENZIA
( da
Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT)
(Especial)
O H O M E M D O P L A N E T A A U S C H W I T Z
Como podemos constatar, a dramaturga
Miriam Halfim, com o seu “O Homem do
Planeta Auschwitz”, busca entender o que aconteceu com seu povo naquele momento
histórico que está sempre tão presente entre nós...
- e sua barbárie! Os anos em que enfrentamos
as duas guerras mundiais!
Com esse texto Halfim está desvendando seu passado, e o passado de
seu povo! Povo que possui, historicamente, várias interpretações em sua
trajetória de vida: escolhido de Deus: um Deus raivoso, do Antigo Testamento, ou
um ser supremo benevolente, “admirador” dos profetas de seu povo escolhido?
Nos perguntamos: como aconteceu isso,
essa barbárie? Está garantido que não se
repetirá? E é, através dessas perguntas, que a autora desenvolve seu
pensamento. Muitos têm medo de acompanhá-la (daí o pouco público na plateia da
Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio de Janeiro?) – acompanhá-la, e à sua narrativa.
Mas a cada mudança histórica devemos
estar bem atentos aos novos (novos?!) acontecimentos. E estamos novamente em uma
mudança histórica, nos dias que correm, em um novo “ciclo civilizatório”. Saberemos
responder ao seu chamado, saberemos evoluir?
A evolução que os tempos atuais
procuram é a Humanização da sociedade - mas as passagens históricas mostram o
seu poder, e não é possível ignorá-la...
... e o capitalismo continua querendo nos aprisionar,
dessa vez com as novas condições sócio econômicas
que o novo Milênio apresenta.
Mas a pergunta continua: o que tornou
possível a Adolph Hitler inaugurar a catástrofe nazista? o que a fez aflorar?
Podemos dizer – com muito medo de errar...
– que foi o RESSENTIMENTO que levou os humanos a este estado de barbárie? Sim...!
de certa forma, sim! O espetáculo a que fomos assistir nos leva a tal conclusão.
Senão vejamos:
Estamos na Primeira Guerra Mundial (1914/
1918...) e nos deparamos com o Mal sendo imposto, em 1919, à Alemanha derrotada,
o que seria, para aquele povo orgulhoso, a mais aviltante das derrotas: o Tratado
de Versalhes e a rendição da Germânia – sua ideologia e raça - Áustria e
Polônia incluídas. Mas algo continuou palpitante, sob a destruição daquele povo
que se achava o escolhido.
E é surpreendente, para um Humanista,
ver nascer o nazismo na civilizada Áustria, um país aonde nasceu Adolph Hitler, e um país que era considerado o
Centro da Cultura europeia! A Áustria dos grandes compositores, dos grandes
poetas, gerou Adolph Hitler!
O que aconteceu depois explica o “ressentimento”.
Pois aquele jovem austríaco teve a ambição de ser um grande artista
plástico (talento não lhe faltava), mas foi preterido por “implicações sociais”. A sociedade humana acaba
criando constrangimentos que trazem na sua raiz o ressentimento. E o jogo dos
poderosos se estabelece, e ninguém consegue explicar como tudo aconteceu. Será?
O texto ao qual nos referimos agora, “O
Homem do Planeta Auschwitz”, se propõe a
rever como tudo começou, e a levar o público a pensar em uma possível reedição
do mesmo erro. Esse é o texto em que autor, diretor e elenco devem (e conseguem!)
transformar os acontecimentos do início
do século XX, em um motivo de reflexão... para os que vieram depois do Holocausto!
Sim. O que vamos falar é sobre o Holocausto,
e como ele pode ressurgir novamente, a qualquer momento! O público, esse
complemento indispensável para que o
teatro se realize, tem medo que o passado volte a acontecer.
Mas é justamente para entender o
passado, e para que ele não se repita, que a filósofa alemã (judia) Hanna
Arendt (interpretada por Susanna Kruger) utiliza seu verbo desafiador para que
o passado não seja esquecido, e é justamente isso o que o escritor polonês Yehiel
De-Nur (interpretado por Mario Borges) enfatiza, em seu horror - o desejo de
esquecer a força que destroçou o seu mundo!
Essa peça envolve-se em um embate
entre o racional e o emocional, enriquecendo o texto e a atuação dos atores.
Neste jogo teatral, o “juer” do
diretor Ary Coslov, com seus dois atores, resulta em um desenvolvimento exemplar
da verdade!
Mário Borges interpreta, com forte
emoção, o escritor judeu que teve sua família exterminada em Auschwitz. Ele é o
“sobrevivente” - “o homem do Planeta Auschwitz”
e traz em sua interpretação a emoção que tal horror desencadeia!
Por outro lado, a corajosa filósofa
judia alemã Hanna Arendt (Susanna Kruger), impõe, com seu raciocínio, a
compreensão do que aconteceu naqueles tempos irracionais. Sua reflexão sobre a
banalidade do mal tornou-se um ponto de reflexão, em nossos dias. Com seu claro
raciocínio, Hanna desperta, para o público, o momento irracional do inferno
nazista, e destaca, com emoção, para a necessidade imperiosa que tal acontecimento não se reproduza, que se
torne algo inaceitável – terrível - em nossos dias.
É quando, no final da peça, a atriz
Susanna Kruger se aproxima da boca de cena e faz um sinal para que a cabine de
luz ilumine a plateia... e coloca, com sua fala, o que vivemos hoje (fica subentendido
que se trata do Brasil). Essa fala se torna uma resposta viva sobre os
acontecimentos, e a finalidade do espetáculo!
Com esse fecho o diretor e a autora
dão a dimensão do pensamento desenvolvido durante o espetáculo!
A atriz, com o seu gesto, parece
estar dizendo: “Não deixemos que a barbárie se estabeleça entre nós, que
retorne, que tome conta de nossa sociedade, de nossas vidas!”
... e o espetáculo se repõe, em toda
a sua verdade!
Essa cena – e muitas outras – devem ser presenciadas pelos amantes do
teatro!
NÃO PERCAM!
Sim, essas reflexões representam a luta entre duas forças poderosas: o bem e o
mal. E verificamos que devemos estar atentos para que o bem triunfe sobre o mal – pois este último espalha o desespero vivido em nossos dias.
Os dois protagonistas (Borges e
Kruger) tentam compreender, desesperadamente, os acontecimentos que levaram ao
quase extermínio de um povo. Tal reflexão não impede que essas forças do mal continuem
atuando e provocando maior extermínio. É preciso se colocar, de todas as
maneiras: enfrentar o que pode ser o fim da Humanidade!
Para as pessoas que se recusam a assistir
a este espetáculo, se recusam a presenciar este episódio dolorido, que se
recusam a reviver este episódio dantesco, dizemos que não o devemos esquecer,
nunca! Precisamos estar atentos, para que ele não se repita. O medo de se
emocionar com as cenas vividas no palco deve ser, ao contrário, o alento e a
procura do estar no mundo, do nosso público!
Todos os países estão ameaçados de
tal catástrofe, todas as religiões, todos os povos.
É preciso estar atento!
Sim, precisamos reproduzir os acontecimentos
no Planeta Auschwitz – aquele planeta do qual as pessoas só saem “pela fumaça
da chaminé” – como diziam os guardas do campo de concentração, fortalecendo a
sua vitoria macabra!
Mas como chegamos a esse ponto?
A peça, o texto, nos leva a presenciar alguma coisa perigosa, latente, que está entranhada
no complexo da alma humana. Repetimos: o ressentimento! E esse sentimento nasce
ao se fazer a pessoa se sentir excluída. Eis algo que devemos levar em conta,
de maneira muito cuidadosa. Muitos males poderiam ser evitados se as pessoas
conhecessem a força do acolhimento, do gesto de acolher.
Este gesto não se adapta ao gesto
impensado que desencadeia todas as guerras. Existiria Hitler, se os alemães, e todos
os poderosos do mundo, não criassem e fizessem existir essa ideia da
superioridade ariana, dos “arianos puros” que tentaram excluir do mundo dos
vivos grande parcela da Humanidade?
Existiria Hitler, se os poderosos do
mundo não quisessem calar as cabeças pensantes em favor de sua ambição pelo
dinheiro, pelo lucro?
Pergunta-se: por que enorme parcela
da Humanidade embarcou neste egoísmo, nesta mesquinhez?
Ficamos por aqui, desejando que um
espetáculo tão doloroso como este seja lembrado pelo público, compartilhado pelos
que querem um mundo melhor para viver.
A ficha técnica é das melhores: a
composição do cenário de Marcos Flaksman reproduz o irremediável da destruição
e das guerras. O desenho da luz de
Aurelio de Simoni enfatiza o poderoso simbolismo da ação. Figurinos do
cotidiano de Wanderley Gomes.
Trilha sonora de Ary Coslov, e
direção de movimento de Marcelo Aquino. Produção Executiva Bárbara Montes
Claros.
A PEÇA É UM DESNUDAR-SE,
UM SE LIVRAR DE UM
MUNDO QUE NOS
SUFOCA!
Devemos
prestigiar a este espetáculo!
sexta-feira, 24 de junho de 2022
O C O R S A R I O
I D A V I C E N Z I A
( da
Associação Internacional de Críticos de
Teatro (AICT)
(Especial)
O C O R S A R I O
... Trata-se de um ballet inspirado
em um poema de Lord Byron, O Corsário,
de 1814. O poeta britânico foi, por excelência, o sonho dos românticos de todos
os tempos. Suas aventuras no Oriente o representam; assim como seus poemas.
Cremos que na passagem do século XIX para o século XX não houve
música, ou verso, mais
apaixonante do que a música de Chopin e os versos de Lord Byron...
Mas quem está trazendo
estas informações é uma romântica que nasceu no sec. XIX !!! E é, para ela, muito importante, neste
contexto atribulado do século XXI, rever
os românticos, com suas pantomimas francesas e sua técnica. É um alimento, uma
renovação! Sim, O Corsário, reproduzido no palco do Theatro Municipal do Rio de
Janeiro, no mês de junho de 2022, é, para ela, o caminho da retomada da dança, justamente no Theatro de
nossos carinhos!
Neste contexto, o balé,
com música de Leo Delibes e Adolphe Adams, entre outros - e coreografia de
Marius Petipa - está muito bem representado, com alguns acréscimos na
coreografia, criados por Helio Bejani e
Jorge Texeira.
Não conseguimos perceber
os acréscimos, exceto pela a presença da companheira amada do corsário,
representada, salvo engano, por Medora (Marcella Borges). No original a esposa não se apresenta na luta
do marido, mas aguarda seu retorno a casa, triunfante. Diz a lenda que o
corsário não retorna jamais... Talvez a participação, forte, de sua esposa, seja
um sinal dos tempos!
Mas quem pode dizer que a
realidade não está ultrapassando o sonho? Afinal, e uma única vez, tivemos
ocasião de assistir Mikhail Baryshnikov no Brasil, evoluindo em uma fascinante interpretação
de O Corsário...
Mas, calma! O que vimos no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, neste último dia
19 de junho, em uma matine de domingo... foi surpreendente, pois encenado pelos
alunos da Escola de Dança Maria Olenewa, cujo retorno à historia do balé foi
inspirado por Helio Bejani e Jorge Texeira, atuais coreógrafos e diretores da Cia
BEMO do Theatro Municipal.
É interessante perceber, na
criação de Jules Perrot e Marius Petipa, as citações de balés da época, do Séc XIX, que
faziam sucesso: como a dança dos quatro pequenos cisnes, de O Lago dos Cisnes,
interpretados também pelas sapatilhas de ponta de Taglione neste O Corsário; ou
a lembrança das pantomimas francesas, cuja inspiração é justamente Gisele, também
de Adams, com suave e surpreendente presença na música de O Corsário.
Ficamos agora em dúvida se estas alterações não
foram concebidas por Bejani e Texeira... Seja como for, o espetáculo é um belo
retorno ao balé de repertório que abraça os mais diferentes tipos de bailarinos,
em sua representação enquanto povo e dança. Explico: o balé de Maria Olenewa
recebe os mais variados bailarinos, e este acolhimento reflete o cuidado e o
amor com que seus diretores indicam o possível caminho do estrelato para estes novos,
e multirraciais, amantes da dança... Para quem assistiu o retorno, alguns dias
atrás, da Escola BMO com O Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, foi uma grande
ocasião para dar um mergulho na compreensão do que o ballet da Escola do Theatro
Municipal realiza com seus alunos, possibilitando, mais uma vez, a beleza e a
emoção do conjunto. Estão de parabéns, novamente, seus diretores Helio Bejani e
Ana Paula Lessa. E, na Direção Artística, Jorge Texeira, que assina a coreografia
com Helio Bejani, d’après Marius
Petipa!
... e temos uma historia
que se reveste de acontecimentos insuspeitados
- abrindo mão do conjunto de bailarinos
profissionais, como estamos acostumados, para colocar em cena bailarinos/alunos
que nos dão uma nova visão do futuro, e daqueles
tempos de mouros, paxás, e sonhos alucinados!
Destacamos, no elenco, Alyson
Trindade interpretando Conrad, o pirata que, em sua espetacular entrada em cena
assemelha-se a um homem-pássaro, tal a leveza e permanência de seu salto, e de
sua elevação! A plateia, entusiasmada, o aplaude.
Constatamos a preocupação
dos diretores com a formação de plateia e, observando os amantes da dança que
estiveram presentes no espaço do público: plateia lotada no último domingo!
- podemos dizer que os rapazes e moças, e
admiradores de todas as idades, inclusive crianças - assistiam a O
Corsário - e às elevações dos bailarinos - sem se desconcentrar.
No papel de Medora, a
companheira do pirata, temos a bailarina Marcella Borges; o bailarino José Ailton interpreta Ali,
o escravo; e Alyson, o homem-pássaro, é o corsário. Os Primeiros Bailarinos convidados para a estreia de O Corsário,
Filipe Moreira (Conrad) e
Cícero Gomes (Ali), e ainda Saulo Finelon, nosso conhecido de O Lago dos
Cisnes interpretando o belo bruxo Rothbart (está irreconhecível no
papel do Paxá Seyd, sinal de sua boa
atuação como ator....). Os três (quatro, com Marcella Borges), não deixaram
nada a dever aos Primeiros Bailarinos convidados para a estreia do espetáculo.
Tais observações são especulações de quem assistiu somente no domingo. Imaginamos
que a presença de Medora, Ali e Alyson, citados para o domingo de encerramento do
espetáculo, não deixaram nada a dever aos bailarinos na sua estreia, tal a
emoção com que o público os recebeu!
Na Direção Geral do
espetáculo temos Ana Paula Lessa e Helio Bejani, grande bailarino que, no início
de sua carreira, iluminou os palcos do Theatro Municipal! Jorge Texeira assina
a Direção Artística... e os alunos/bailarinos são os mesmos que se apresentaram
no inesquecível O Lago dos Cisnes.
E, acrescentamos, para vosso
conhecimento, que as figuras de destaque na história dos balés não são
prejudicadas pela mudança dos personagens, muito pelo contrário! ... Quando dizemos que Saulo Finelon
interpretando Rothbart, o bruxo, era “o belo” bailarino, agora, em O Corsário,
sua composição é a do velho Paxá, momento
em que não se apresenta “o belo” - muito
pelo contrario - apresenta-se “o velho”, andando sobre seus pés cansados! Irreconhecível.
Boa interpretação.
Como ensaiadora temos Deborah Ribeiro, e ainda
Paulo Ornellas na Iluminação; Tania Agra nos figurinos e Visagismo, e
cenografia de Manoel dos Santos e José Galdino. Na técnica são ao todo dez
pessoas, entre aprendizes e profissionais.
Não é sem certa
melancolia que vemos, refletidas neste espetáculo, as lembranças dos primeiros
balés românticos franceses que entraram nas nossas vidas, como Gisele, por
exemplo, cujos primeiros acordes e passos da pantomima, presentes em O
Corsário, nos levaram a recordá-la! Ah! As pantomimas dos primeiros balés
românticos franceses!
São, ao todo, 49 alunos
da Cia BEMO – TMRJ enriquecendo o nosso material artístico. Estão de parabéns
também a AMADANÇA que tanto tem acompanhado o movimento desta casa de
espetáculos que sobrevive, orgulhosamente, através dos anos!

